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Chinesa Cosco consegue que dois cargueiros atravessem estreito de Ormuz

Mapas da plataforma mostram que tanto os navios da Cosco "Indian Ocean" e "Arctic Ocean" como o panamiano "Mac Hope" já se encontram em águas a leste de Ormuz.

31 de março de 2026 às 07:51

Dois cargueiros da estatal chinesa Cosco Shipping e outro navio de propriedade e tripulação chinesa, mas com bandeira do Panamá, conseguiram atravessar o estreito de Ormuz na segunda-feira, segundo o portal de monitorização MarineTraffic.

Os mapas da plataforma mostram que tanto os navios da Cosco "Indian Ocean" e "Arctic Ocean" como o panamiano "Mac Hope" já se encontram em águas a leste de Ormuz, após atravessarem essa via marítima crucial, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos a nível mundial, e que se encontra bloqueada de facto pelo Irão.

As embarcações da Cosco tinham previsto partir rumo à Malásia em meados de março, mas os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, bem como as represálias de Teerão -- também dirigidas contra outros países da região -- deixaram-nas retidas no Golfo Pérsico.

Na sexta-feira, o portal noticioso chinês Caixin informou que ambos os cargueiros tinham iniciado uma tentativa de atravessar Ormuz, mas, segundo a consultora especializada Lloyd's List Intelligence, tiveram de voltar atrás depois de a Guarda Revolucionária iraniana, que anunciou um sistema de portagens, ter-lhes negado a passagem.

O MarineTraffic informou finalmente, ao final da tarde de segunda-feira, sobre o trânsito bem-sucedido: "Após abortarem uma tentativa inicial de travessia na sexta-feira, os cargueiros da Cosco conseguiram atravessar com sucesso o Estreito de Ormuz, um possível sinal de mudança na situação das rotas marítimas comerciais. (...) Trata-se da primeira travessia bem-sucedida de um grande cargueiro desde o início do conflito".

Os dois navios da Cosco transportam contentores maioritariamente vazios e têm como destino declarado Port Klang (Malásia). Já o "Mac Hope" alterou a informação de destino para "China Owner & Crew" ("proprietário e tripulação chineses", em inglês) nos seus sistemas de transmissão.

Na semana passada, a Cosco anunciou que voltaria a aceitar novas reservas de contentores normais com destino a vários países do Médio Oriente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque, segundo um aviso aos clientes.

Um dia depois, o cargueiro "Aquarius" atracou no porto de Sohar (Omã), situado a cerca de 240 quilómetros a sul de Ormuz, com quase 200 mil toneladas de mercadorias destinadas aos países do Golfo.

A consultora Trivium China alertou esta terça-feira, porém, para "não tirar conclusões precipitadas": "Por um lado, o Irão insiste que o estreito está aberto à navegação de 'países amigos', incluindo a China (...). Por outro, os navios da Cosco estavam vazios e encontravam-se retidos no Golfo desde o final de fevereiro".

Fontes citadas na semana passada pelo portal Caixin asseguraram que a Cosco deu prioridade ao regresso de cargueiros vazios, uma vez que, caso fossem atacados ao atravessar Ormuz, sofreriam menos danos do que os navios petroleiros que a empresa chinesa tem no Golfo Pérsico, os quais se encontram totalmente carregados.

"Se a Cosco retomar o trânsito para o interior [do Estreito de Ormuz], então saberemos que os seus cálculos mudaram", acrescentou a Trivium.

Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na região têm perturbado a navegação comercial e aumentado custos logísticos, o que provocou uma subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, afetando também a China, onde os combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes.

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