Garantia foi dada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.
Os Estados Unidos (EUA) defenderam esta segunda-feira que a situação no Estreito de Ormuz está a melhorar e que, em breve, "retomarão o controlo" desta via marítima estratégica para que os navios petroleiros possam circular pela rota sem restrições.
A garantia foi dada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, numa entrevista à estação de televisão Fox News, que lembrou que o trânsito de petróleo e mercadorias no estreito foi interrompido pelo Irão em represália pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro.
"O mercado está bem abastecido e todos os dias vemos um número crescente de navios a transitar [pelo estreito], mas, com o tempo, os Estados Unidos retomarão o controlo dos estreitos e a liberdade de navegação será restabelecida, quer através de escoltas norte-americanas quer por meio de uma escolta multinacional", referiu Bessent.
Ainda assim, o representante estimou o atual défice do mercado entre 10 e 12 milhões de barris, perante o qual a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a fornecer cerca de quatro milhões de barris por dia, no âmbito da decisão dos 32 países da Agência Internacional da Energia (AIE) de libertar 400 milhões de barris das reservas de emergência.
Antes da eclosão do conflito, pelo Estreito de Ormuz passava quase um quinto do petróleo mundial.
O risco de uma profunda crise económica mundial persegue a administração Trump, que solicitou a ajuda de países aliados para reabrir o tráfego no Estreito de Ormuz, sem conseguir apoios à sua proposta, após o que chegou a qualificar como "cobardes" os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Trump adiou até 06 de abril o ultimato a Teerão para desbloquear esta passagem estratégica, dando margem a negociações cuja existência o Irão nega, reconhecendo apenas a troca de mensagens através de intermediários como o Paquistão.
Já esta segunda-feira, o Presidente norte-americano afirmou, numa mensagem publicada na sua rede social, Truth Social, que "foram alcançados grandes progressos" nas conversações "para pôr fim às operações militares [dos EUA] no Irão", sem entrar em pormenores, ao mesmo tempo que ameaçou atacar instalações energéticas e petrolíferas do país persa caso não seja alcançado um acordo.
O Presidente norte-americano assegurou no domingo que o Irão permitirá a passagem de 20 navios petroleiros através do Estreito de Ormuz como um "presente" e "sinal de respeito" para com os Estados Unidos.
As declarações de Trump surgem num contexto de aumento da presença militar de Washington no Médio Oriente, com o destacamento de cerca de 50.000 militares no total e alegados planos do Pentágono (Departamento de Defesa) para uma incursão terrestre no Irão, segundo informações divulgadas por meios de comunicação social norte-americanos.
Quanto ao levantamento das restrições ao petróleo iraniano e russo já carregado em navios, o secretário do Tesouro norte-americano defendeu que "nenhum dos regimes receberá dinheiro adicional" com esta medida, aplicada para aliviar os mercados energéticos sujeitos a fortes flutuações após o encerramento de Ormuz.
Além disso, não demonstrou preocupação com os ataques dos rebeldes xiitas huthis, do Iémen, que anunciaram no sábado a entrada na guerra do Irão, e indicou que as ações das forças iemenitas estão dirigidas "especificamente" contra Israel.
"Estamos a levar a cabo uma campanha de bombardeamentos contra os huthis e, até agora, têm-se mantido bastante tranquilos, e prevejo que assim continuarão", afirmou Bessent.
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