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Diretor da IATA considera que aumento dos preços dos bilhetes de avião é "inevitável"

Companhias aéreas tinham previsto dedicar, em média, 26% das suas despesas operacionais ao combustível este ano.

20 de março de 2026 às 14:28

O diretor-geral da IATA, a principal associação mundial de companhias aéreas, afirmou esta sexta-feira que um aumento dos preços dos bilhetes de avião é "inevitável", perante a subida dos preços dos hidrocarbonetos devido à guerra no Médio Oriente.

O preço do barril de querosene, derivado do petróleo, duplicou desde o ataque israelo-americano contra o Irão, a 28 de fevereiro, um aumento ainda superior ao do petróleo bruto, observou Willie Walsh durante uma conferência organizada pela Associação de Jornalistas Profissionais da Aeronáutica e do Espaço (AJPAE).

As companhias aéreas tinham previsto dedicar, em média, 26% das suas despesas operacionais ao combustível este ano, com base num barril de querosene a 88 dólares, recordou Walsh, quando o preço já ultrapassava os 216 dólares, na quinta-feira.

"Não é preciso ser um génio para deduzir que os custos adicionais que as companhias terão de enfrentar, se a situação persistir, serão muito superiores ao que podem absorver", acrescentou Willie Walsh, cuja associação reúne 360 transportadoras que representam 85% do tráfego mundial.

Desta forma, o responsável assegurou ainda que "é inevitável que os preços dos bilhetes aumentem", uma subida já sentida em alguns mercados, em particular nos Estados Unidos.

Willie Walsh considerou que a magnitude da crise atual, que afeta principalmente as companhias do Golfo forçadas a cancelar grande parte dos voos, não tem "nada a ver com a da Covid".

O diretor da IATA comparou a atual situação aos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, quando as torres gémeas, nos Estados Unidos, foram alvo de um ataque e as rotas transatlânticas entraram em colapso durante alguns meses.

Ainda assim, para Walsh, "a procura subjacente continua robusta" para as viagens aéreas, mesmo que o aumento dos preços dos bilhetes "tenha consequências" no comportamento dos consumidores.

Em crises como esta, "as pessoas continuam a viajar, mas fazem viagens mais curtas", assegurou.

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