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G7 apela ao fim imediato dos ataques contra populações e infraestruturas civis no Médio Oriente

Chefes da diplomacia reafirmam a importância de uma navegação livre no Estreito de Ormuz.

27 de março de 2026 às 17:48

Os chefes da diplomacia do G7, reunidos em França, apelaram esta sexta-feira "ao fim imediato dos ataques contra a população e infraestruturas civis" na região do Médio Oriente, reafirmando ainda a importância de uma navegação livre no Estreito de Ormuz.

Num comunicado conjunto, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido, todos países membros da NATO, e Japão, "reafirmaram a necessidade absoluta de restabelecer de forma permanente a liberdade de navegação livre e segura no Estreito de Ormuz".

"Não pode haver qualquer justificação para o ataque deliberado a civis em situações de conflito armado, nem para ataques contra instalações diplomáticas", prosseguiu o texto assinado pelos representantes das sete maiores economias mundiais (mais a União Europeia).

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, cujo país detém atualmente a presidência do G7, considerou existir um consenso "muito alargado no seio da comunidade internacional para preservar um bem comum que é a liberdade de navegação".

"Está fora de questão viver num mundo em que as águas internacionais estejam fechadas à navegação", acrescentou o ministro, durante uma conferência de imprensa no final da reunião, que decorreu esta sexta-feira e quinta-feira em Vaux-de-Cernay, perto de Paris.

Barrot anunciou também que os ministros acordaram os termos de uma possível futura reunião entre o bloco e os homólogos do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo.

Mas segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP), na reunião dos representantes da diplomacia dos países do G7 ficaram evidentes as "profundas divisões" em relação à guerra com o Irão, na sequência das repetidas queixas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que os aliados ignoraram ou rejeitaram os pedidos de ajuda para fazer face à retaliação de Teerão, incluindo o encerramento do Estreito de Ormuz à maior parte do tráfego marítimo internacional.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, juntou-se aos seus homólogos do G7 um dia depois de Trump ter lançado uma nova série de críticas aos países da NATO, dificultando ainda mais a tarefa do representante da diplomacia dos Estados Unidos de promover a estratégia norte-americana para o conflito com o Irão.

Quase um mês após o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, os aliados enfrentam também preocupações quanto à instabilidade nos mercados petrolíferos e à incerteza sobre eventuais negociações para pôr termo à crise.

A maioria dos aliados mais próximos de Washington recebeu a guerra com o Irão com profundo ceticismo, evidenciado durante a reunião dos ministros do G7, realizada numa abadia histórica do século XII em Cernay-la-Ville, nos arredores de Paris, apesar de todos apelarem a uma solução diplomática.

A ministra das Forças Armadas de França, Catherine Vautrin, afirmou que a guerra "não é da Europa", acrescentando que a posição francesa é estritamente defensiva.

"O objetivo é verdadeiramente esta via diplomática, que é a única que pode garantir um regresso à paz. Muitos países estão preocupados e é absolutamente essencial que encontremos uma solução", declarou Vautrin às estações Europe 1 e CNews.

Por seu lado, a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, afirmou que o Reino Unido também privilegia uma via diplomática, reconhecendo divergências com os Estados Unidos.

"Adotámos uma abordagem de apoio a ações defensivas, mas também seguimos uma via diferente relativamente às ações ofensivas que ocorreram no âmbito deste conflito", disse.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, afirmou ter deixado "clara" a posição de Berlim, nomeadamente a disponibilidade da Alemanha para desempenhar um papel após o fim das hostilidades no que diz respeito a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Wadephul acrescentou que o seu objetivo é "alargar o que há como base comum" relativamente ao conflito no Médio Oriente.

Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

O Irão respondeu à ofensiva com ataques contra os países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região.

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