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Guerra no Irão "agrava e limita" direitos dos migrantes no Golfo Pérsico

Organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch afirma que os trabalhadores migrantes são os mais vulneráveis às hostilidades.

01 de abril de 2026 às 14:00

A guerra no Irão, que se alastrou ao Médio oriente, está a agravar a situação dos trabalhadores migrantes nos países Golfo Pérsico, alertou esta quarta-feira a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

Num relatório divulgado, a organização afirma que os trabalhadores migrantes são os mais vulneráveis às hostilidades e os que mais sofrem com o aumento dos custos, embora sejam quem mais "desempenha tarefas essenciais para o funcionamento contínuo das economias e serviços do Golfo Pérsico".

Por isso, a HRW exige que os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo - Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã - "adotem medidas de emergência para mitigar e, quando necessário, compensar a perda de rendimentos" destes trabalhadores.

Segundo a organização, é essencial que estes Estados adotem "medidas estruturais" para garantir que todos os trabalhadores "recebem um salário digno, têm os seus contratos respeitados e acesso a benefícios da segurança social".

A guerra "expôs deficiências nos direitos laborais e outros, incluindo os possibilitados pelo sistema 'kafala'", um modelo de patrocínio utilizado no Golfo Pérsico para vigiar trabalhadores migrantes, principalmente da construção e setor doméstico, afirmou o vice-diretor da HRW para o Médio Oriente e Norte de África, Michael Page.

O sistema 'kafala' permite aos empregadores assumir o controlo e a responsabilidade pelos migrantes que recrutam nos países de origem, limitando severamente a sua liberdade de circulação e capacidade de mudar de emprego.

A organização instou os Estados da região a tomarem medidas para garantir que os trabalhadores que desejam regressar voluntariamente aos seus países de origem "recebam ajuda para o custo dos bilhetes de avião ou que se coordenem com os governos dos seus países de origem e as companhias aéreas para oferecer opções de voos acessíveis".

O relatório publicado foi feito com base em 38 entrevistas a trabalhadores migrantes da Índia, Nepal e Bangladesh residentes naqueles países do golfo e que trabalham como motoristas, estafetas, seguranças, cozinheiros e pessoal de limpeza.

A guerra contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, alastrou-se a vários países da região e tem tido consequências na economia tanto do Médio Oriente como do resto do mundo.

Uma das retaliações de Teerão foi bloquear a passagem do estreito de Ormuz, um canal por onde é transportado cerca de 20% a 30% do comércio mundial de petróleo e gás natural, como tática para exercer pressão económica global durante o conflito.

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