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Organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch afirma que os trabalhadores migrantes são os mais vulneráveis às hostilidades.
A guerra no Irão, que se alastrou ao Médio oriente, está a agravar a situação dos trabalhadores migrantes nos países Golfo Pérsico, alertou esta quarta-feira a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).
Num relatório divulgado, a organização afirma que os trabalhadores migrantes são os mais vulneráveis às hostilidades e os que mais sofrem com o aumento dos custos, embora sejam quem mais "desempenha tarefas essenciais para o funcionamento contínuo das economias e serviços do Golfo Pérsico".
Por isso, a HRW exige que os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo - Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã - "adotem medidas de emergência para mitigar e, quando necessário, compensar a perda de rendimentos" destes trabalhadores.
Segundo a organização, é essencial que estes Estados adotem "medidas estruturais" para garantir que todos os trabalhadores "recebem um salário digno, têm os seus contratos respeitados e acesso a benefícios da segurança social".
A guerra "expôs deficiências nos direitos laborais e outros, incluindo os possibilitados pelo sistema 'kafala'", um modelo de patrocínio utilizado no Golfo Pérsico para vigiar trabalhadores migrantes, principalmente da construção e setor doméstico, afirmou o vice-diretor da HRW para o Médio Oriente e Norte de África, Michael Page.
O sistema 'kafala' permite aos empregadores assumir o controlo e a responsabilidade pelos migrantes que recrutam nos países de origem, limitando severamente a sua liberdade de circulação e capacidade de mudar de emprego.
A organização instou os Estados da região a tomarem medidas para garantir que os trabalhadores que desejam regressar voluntariamente aos seus países de origem "recebam ajuda para o custo dos bilhetes de avião ou que se coordenem com os governos dos seus países de origem e as companhias aéreas para oferecer opções de voos acessíveis".
O relatório publicado foi feito com base em 38 entrevistas a trabalhadores migrantes da Índia, Nepal e Bangladesh residentes naqueles países do golfo e que trabalham como motoristas, estafetas, seguranças, cozinheiros e pessoal de limpeza.
A guerra contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, alastrou-se a vários países da região e tem tido consequências na economia tanto do Médio Oriente como do resto do mundo.
Uma das retaliações de Teerão foi bloquear a passagem do estreito de Ormuz, um canal por onde é transportado cerca de 20% a 30% do comércio mundial de petróleo e gás natural, como tática para exercer pressão económica global durante o conflito.
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