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Impacto da crise energética seria 12% pior se a União Europeia não tivesse diversificado energia

Presidente do Eurogrupo admitiu "perturbações sérias" ao nível económico.

05 de maio de 2026 às 15:08

O presidente do Eurogrupo disse, esta terça-feira, que o impacto da atual crise energética seria 12% pior se a União Europeia (UE) não tivesse vindo a diversificar a sua energia desde 2022 e admitiu "perturbações sérias" ao nível económico.

"O impacto que estamos agora a observar e a sentir desta crise é cerca de 12% inferior ao que teria sido se não tivéssemos diversificado as fontes de energia desde 2022", afirmou o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, numa audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Além disso, "as medidas não direcionadas -- como medidas de apoio à eletricidade, aos combustíveis -- acabaram por ajudar mais os ricos do que os pobres [...] e isso mostra, entre outros fatores, o porquê de a Comissão estar a promover um conjunto de medidas direcionadas e temporárias como sendo as mais adequadas", acrescentou.

Numa altura em que se assinalam mais de dois meses desde o início do conflito no Médio Oriente -- dados os ataques israelitas e norte-americanos e a resposta iraniana, que levou a bloqueios no estreito de Ormuz, crucial para a passagem mundial de petróleo --, o responsável admitiu ser "bastante difícil prever a gravidade do impacto final".

Ainda assim, certo é que "a guerra no Médio Oriente tem potencial para perturbar seriamente o funcionamento das economias" europeias, assinalou Kyriakos Pierrakakis, citando "dados e indicadores recentes, [que] já apontam para o aumento da inflação e para o enfraquecimento da atividade económica", isto "num contexto de tendência estagflacionista".

"A questão agora é saber se conseguimos liderar. Estamos a enfrentar um novo choque de oferta sob a forma de outra crise energética, que volta a testar as nossas economias, evidenciando de forma dolorosa que a energia já não reflete apenas custos. A energia é também poder, a energia é também segurança e, fundamentalmente, é também soberania", adiantou.

Kyriakos Pierrakakis mostrou-se, porém, "otimista quanto à capacidade da economia da área do euro para resistir a este novo choque".

"Mas a política orçamental também tem um papel importante. Muitos governos estão a tomar medidas para aliviar o impacto dos elevados preços da energia nas empresas e nas famílias, [...] mas estamos conscientes de que, para conter a inflação, é importante que as medidas de apoio orçamental sejam temporárias e direcionadas, preservando os sinais de preços necessários para reduzir o consumo de energia", avisou.

Nas últimas reuniões, os ministros das Finanças da zona euro têm debatido no Eurogrupo os impactos económicos da guerra do Irão, tentando conjugar as suas respostas orçamentais à crise para evitar descoordenação.

A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.

Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famílias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.

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