Ataques a navios no Estreito de Ormuz que já provocaram a morte de pelo menos sete tripulantes.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, criticou os ataques a navios no Estreito de Ormuz que já provocaram a morte de pelo menos sete tripulantes e declarou a situação "inaceitável e insustentável".
Na abertura da sessão extraordinária do Conselho da OMI, que decorre esta quarta-feira e na quinta-feira em Londres, Dominguez afirmou que cerca de 20 mil tripulantes continuam retidos dentro do Golfo Pérsico a bordo das suas embarcações.
"Apelo a todas as companhias de navegação para atuarem com a máxima cautela ao operar na região afetada e, sempre que possível, evitem atravessá-la. Qualquer ataque contra marítimos inocentes ou embarcações civis é totalmente inaceitável", sublinhou o responsável da agência especializada das Nações Unidas.
Dominguez afirmou ainda que os tripulantes "não devem tornar-se vítimas das tensões geopolíticas" e apelou a "todas as partes envolvidas para trabalharem no alívio do conflito e permitirem a saída segura das tripulações do Golfo".
"O transporte marítimo tem demonstrado repetidamente a sua resiliência, mas a geopolítica está a pô-lo à prova. Sempre que a navegação é usada como dano colateral nestes conflitos, todo o mundo é afetado, desde a economia global à segurança alimentar", alertou.
A reunião extraordinária do Conselho da OMI foi convocada com caráter de urgência para analisar o impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão iniciada em 28 de fevereiro.
Como retaliação, Teerão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região, incluindo navios internacionais no estreito de Ormuz.
A passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã é atravessada por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima a nível mundial, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
Em consequência do bloqueio, o preço do petróleo bruto Brent, a referência internacional, mantém-se acima dos 100 dólares por barril, uma subida superior a 40% desde o início da guerra.
Durante a abertura da reunião, as delegações dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar na OMI condenaram veementemente as ações do Irão, que se opôs, com a Rússia, à realização da sessão extraordinária alegando que não foi respeitado o prazo de um mês de aviso.
A OMI conta atualmente com 176 Estados-membros e três membros associados, mas o Conselho, órgão executivo da OMI, é composto por apenas 40 Estados-membros, eleitos pela Assembleia. Portugal é membro da OMI mas não faz parte do Conselho.
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