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Mais de sete milhões de israelitas vão hoje às urnas para votação com desfecho imprevisível

Em jogo estão os 120 lugares do Knesset e a consequente governação do país. Para governar com maioria absoluta, um partido ou coligação precisa de reunir pelo menos 61 lugares parlamentares.

27 de outubro de 2026 às 06:03

Mais de sete milhões de eleitores são esta terça-feira chamados às urnas para eleger uma nova composição do parlamento israelita (Knesset), o primeiro ato eleitoral desde os ataques do Hamas que em 2023 atingiram Israel e destabilizaram o Médio Oriente.

Em jogo nestas eleições, já classificadas como uma das mais incertas de sempre em Israel, estão os 120 lugares do Knesset e a consequente governação do país.

Para governar com maioria absoluta, um partido ou coligação precisa de reunir pelo menos 61 lugares parlamentares.

Os israelitas votam em listas partidárias e não em candidatos individuais. Neste escrutínio, constam no boletim de voto 37 partidos, mas apenas aqueles que ultrapassem a fasquia eleitoral de 3,25% entram no Knesset.

As atenções estão centradas em dois nomes: o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (partido Likud) e o antigo general das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot (partido Yashar!), um recém-chegado à política israelita.

Eleições em Israel

Dos candidatos aos resultados, esclareça aqui as suas dúvidas.

As últimas sondagens indicam que o Yashar! de Eisenkot tem ligeira vantagem sobre o Likud de Netanyahu, mas nenhum consegue atingir o “número mágico” dos 61 assentos parlamentares, nem através de alianças pós-eleitorais com forças pró-governamentais ou do chamado bloco da mudança, a não ser que este último se entenda com os partidos árabes.

Três anos depois do ataque mais mortífero da história de Israel, que mergulhou o país numa guerra na Faixa de Gaza e em outras frentes de conflito, as eleições desta terça-feira decorrem num contexto de profundas divisões internas sobre várias questões, que incluem a responsabilização pelas falhas que permitiram o ataque do grupo extremista Hamas naquela manhã de 7 de outubro de 2023, o peso do serviço militar e a independência das instituições democráticas e do poder judicial.

A capacidade de Israel para preservar a sua prosperidade económica e as suas alianças internacionais, num contexto de polarização interna cada vez mais acentuada e de isolamento global, foram outros temas a dominar o debate político.

A votação decorre entre as 07h00 e as 22h00 locais (mais duas horas em relação ao fuso horário de Lisboa).

Os resultados são confirmados até 4 de novembro, mas podem ser apresentados recursos até ao dia 18, sendo porém raro que sejam aceites ou que possam alterar o desfecho eleitoral.

Cabe depois ao Presidente israelita, Isaac Herzog, indicar o líder de um dos partidos, geralmente o mais votado, para constituir governo. A partir desse momento, segundo um explicador do Instituto da Democracia de Israel, decorrem 28 dias para negociações e formação de um executivo, prorrogáveis por mais 14.

Se o candidato não for bem sucedido, o processo volta à estaca zero e Herzog deverá indicar outro nome para formar governo no máximo de outros 28 dias, mas sem possibilidade de prorrogação. Caso o impasse persista, um grupo de deputados eleitos pode fazer uma terceira tentativa, num prazo de 14 dias.

Na sua história, os governos costumam ser constituídos logo à primeira, mas, se todas as três possibilidades falharem, o Knesset é dissolvido automaticamente e terá de haver novas eleições.

O voto não é obrigatório e a lei eleitoral israelita não permite que cidadãos residentes fora de Israel votem no estrangeiro, com exceção dos funcionários consulares e militares.

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