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"Navios não hostis" autorizados por Teerão a passar Estreito de Ormuz

Desde o início da ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irão, este país tem ameaçado e atacado navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz.

24 de março de 2026 às 23:01

A Organização Marítima Internacional (OMI) afirmou esta terça-feira ter recebido do Irão a garantia de que "navios não hostis" podem transitar pelo Estreito de Ormuz, desde que respeitem as regras de segurança e proteção.

Segundo a agência das Nações Unidas para a segurança marítima, a garantia consta de um documento, datado de domingo, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, com pedido de que fosse divulgado, o que a OMI fez aos seus Estados-Membros e organizações não-governamentais.

"Os navios não hostis (...) podem --- desde que não participem em atos de agressão contra o Irão nem os apoiem e que cumpram integralmente as regras de segurança e proteção em vigor --- beneficiar de uma passagem segura pelo estreito de Ormuz, em coordenação com as autoridades competentes", refere o documento divulgado.

Desde o início da ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro, este país tem ameaçado e atacado navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passa perto de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás, levando a um bloqueio da via e a uma escalada de preços.

O comunicado divulgado pela OMI salienta que "nenhum ativo pertencente aos agressores --- nomeadamente os Estados Unidos e o regime israelita ---, bem como aos outros participantes na agressão, pode pretender a uma passagem pacífica ou não hostil".

Especifica ainda que a responsabilidade por "qualquer perturbação, insegurança ou aumento vertiginoso dos riscos nesta rota marítima crucial" recai sobre os Estados Unidos e Israel, acusados de travar uma "guerra ilegal e desestabilizadora contra o Irão".

Segundo o comunicado, estes dois países "colocaram em risco a paz e a estabilidade regionais e expuseram o transporte marítimo internacional a ameaças sem precedentes".

O Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu esta terça-feira que há negociações em curso para alcançar um acordo sobre a guerra desencadeada em conjunto com Israel contra o Irão, que tem "um presente muito grande" para oferecer a Washington.

Sem apresentar detalhes, descartou que o suposto presente esteja ligado ao programa nuclear iraniano, mas admitiu que está "relacionado com o fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz", colocado sob ameaça militar por Teerão, o que fez disparar os preços de hidrocarbonetos à escala global.

"Ontem [segunda-feira] fizeram algo incrível. Na verdade, deram-nos um presente, e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, de enorme valor económico. Não vou dizer qual é o presente, mas foi muito significativo. E deram-nos", afirmou.

O Presidente norte-americano acrescentou que se trata de "um gesto muito gentil", que demonstra que a Casa Branca está a "lidar com as pessoas certas", e ao mesmo tempo um sinal de que o Irão "chegará a um acordo" para pôr fim ao conflito iniciado pela ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro.

Após os assassínios de altos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, houve uma "mudança de regime" na República Islâmica, segundo Trump, e os atuais representantes de Teerão "são muito diferentes" daqueles que, antes do conflito, "criaram todos estes problemas".

Trump indicou que o seu enviado Steve Witkoff, o seu genro Jared Kushner, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão envolvidos no processo de diálogo, até agora negado por Teerão.

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o Estreito de Ormuz.

Mais tarde, indicou que Washington e Teerão tinham encontrado "pontos de concordância importantes" durante negociações com um representante iraniano que não identificou.

O Irão negou conversações com os Estados Unidos, embora tenha reconhecido a existência de contactos.

O Paquistão confirmou esta terça-feira que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, para pôr fim à guerra.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou na rede social X que, "com a aprovação dos Estados Unidos e do Irão, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente" para o conflito em curso.

A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos como "uma farsa", negando qualquer diálogo com Washington.

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