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OMI pede esforços diplomáticos internacionais para desbloquear Estreito de Ormuz

Mais de 40 países participaram numa reunião para discutir medidas diplomáticas e políticas para levantar o bloqueio no Estreito de Ormuz.

02 de abril de 2026 às 19:13

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, instou esta quinta-feira os países participantes numa reunião sobre o Estreito de Ormuz a apoiarem esforços diplomáticos para retirar cerca de 20 mil tripulantes de navios retidos no Golfo Pérsico.

Citado num comunicado, Dominguez interveio no encontro para apelar a um desagravamento do conflito e a soluções operacionais, como corredores humanitários para a prestação de assistência urgente, em vez de abordagens militares.

"Respostas fragmentadas já não são suficientes para resolver esta crise. O que é urgentemente necessário é um envolvimento diplomático, soluções práticas e neutras e uma ação internacional coordenada", afirmou após a reunião.

O dirigente disse que a OMI está a trabalhar numa solução para retirar os tripulantes "baseada na cooperação dos Estados costeiros, garantias de segurança e coordenação operacional, com o objetivo claro de libertar os navios bloqueados, permitir rotações seguras das tripulações e prevenir um desastre ambiental".

Mais de 40 países, incluindo Portugal, participaram numa reunião em formato virtual para discutir medidas diplomáticas e políticas para levantar o bloqueio no Estreito de Ormuz.

No início da reunião, a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, que presidiu o encontro, salientou a "necessidade urgente de restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional".

Na agenda da reunião estavam "medidas diplomáticas e de planeamento internacional", incluindo "a mobilização coletiva de todo o leque de instrumentos e pressões diplomáticas e económicas, o trabalho de garantias junto da indústria, das seguradoras e dos mercados energéticos", segundo adiantou Yvette Cooper.

Posteriormente, prosseguiu, o Governo britânico pretende "reunir planeadores militares para analisar como mobilizar as capacidades militares defensivas coletivas, incluindo a análise de questões como a remoção de minas ou medidas de salvaguarda assim que o conflito abrandar".

O Irão, que controla a costa norte do Estreito de Ormuz, tem bloqueado este ponto crucial para o comércio global de energia, principalmente petróleo e gás, em resposta à ofensiva de grande escala de Israel e dos Estados Unidos, lançada em 28 de fevereiro.

Pelo Estreito de Ormuz transita, em condições normais, um quinto da produção mundial de petróleo, bem como de gás natural liquefeito.

Os ataques iranianos a navios comerciais, e a ameaça de mais ataques, paralisaram quase todo o tráfego na passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto dos oceanos, o que fez disparar os preços das matérias-primas e de derivados como fertilizantes.

Governos e analistas receiam que um bloqueio prolongado tenha impacto noutros setores da economia, como a produção agrícola e de medicamentos, mas também ao nível do fabrico de semicondutores e de baterias necessários para aparelhos eletrónicos ou automóveis.

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