Agência da ONU estima que 20 mil tripulantes estão atualmente a bordo de 3.200 navios retidos no Golfo Pérsico.
A Organização Marítima Internacional (OMI) quer a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz para retirar os navios presos no Golfo Pérsico devido ao conflito no Médio Oriente, refere uma declaração adotada esta quinta-feira.
"Estou pronto para começar a trabalhar imediatamente nas negociações destinadas a estabelecer um corredor humanitário para evacuar todos os navios e marítimos retidos", afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, no final de uma sessão extraordinária de dois dias do Conselho da OMI que terminou esta quinta-feira em Londres.
Mas, acrescentou, "para que isso se concretize, precisarei da compreensão, do empenho e, acima de tudo, de ações concretas por parte de todos os países envolvidos, bem como do setor e das agências relevantes da ONU".
A OMI, agência da ONU responsável pela segurança marítima, estima que 20 mil tripulantes estão atualmente a bordo de 3.200 navios retidos no Golfo Pérsico devido à insegurança no estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão em retaliação aos ataques norte-americanos e israelitas.
Em conferência de imprensa, Dominguez afirmou que pretende começar negociações "imediatamente pelos países da região, todos os que se situam em torno do Golfo Pérsico", incluindo o Irão.
"Vou falar com o Irão e já falei com o Irão", afirmou, revelando que Teerão "está aberto ao diálogo".
Pretende também falar com responsáveis do setor e operadores para determinar em termos de prioridade aqueles que precisam de sair primeiro daquela região pois, em condições normais, passam pelo Estreito de Hormuz cerca de 130 navios nas duas direções.
Questionado sobre a possibilidade de os navios retidos saírem sob escolta militar, o secretário-geral da OMI respondeu que "não é uma solução 100% segura e não é uma solução sustentável a longo prazo".
"Precisamos de um cessar-fogo. Precisamos de um desagravamento, precisamos que o conflito termine para que o transporte marítimo não seja usado como dano colateral nesta situação", salientou.
Após dois dias de debates a pedido de vários países, nomeadamente os Emirados Árabes Unidos, os 40 países membros do Conselho da OMI, o seu órgão executivo, chegaram a acordo sobre várias propostas para melhorar a navegação em torno do estreito e a situação dos navios bloqueados.
O Conselho propôs, na sua resolução, "a criação, a título de medida provisória e urgente, de um quadro - que poderá assumir a forma de um corredor marítimo seguro - destinado a facilitar a evacuação em segurança" dos navios e dos tripulantes.
A quase paralisia imposta por Teerão ao estreito de Ormuz, por onde transita normalmente um quinto da produção mundial de petróleo, mas também de gás natural liquefeito, provocou um forte aumento do preço do petróleo e gás natural, com impacto económico mundialmente.
O Irão, que espera com a sua estratégia exercer pressão sobre Washington, autorizou nos últimos dias a passagem de alguns navios de países que considera aliados, ao mesmo tempo que advertiu que bloquearia os de países considerados hostis.
Os países membros do Conselho da OMI condenaram também "com a maior firmeza os ataques inaceitáveis perpetrados pela República Islâmica do Irão contra os territórios, incluindo as águas territoriais, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait, de Omã, do Qatar e da Jordânia, os quais violaram o direito internacional".
"O texto é parcial, injusto, impreciso e juridicamente deficiente. Condena o Estado vítima, ao mesmo tempo que omite a agressão ilegal na origem da situação atual", argumentou a delegação iraniana durante a sessão.
Os Estados-Membros apelaram ainda ao fim de todos os ataques contra os navios, à preservação da segurança, do bem-estar e da saúde dos tripulantes, ao fornecimento de mantimentos essenciais aos navios que se encontram na região e à facilitação da troca das tripulações.
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