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Ormuz com movimento muito reduzido apesar do cessar-fogo

Cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor na quarta-feira e estava condicionado à retoma do tráfego pelo estreito, por onde passa um quinto do petróleo e gás comercializado no mundo.

10 de abril de 2026 às 15:40

Pelo menos nove navios transitaram na quinta-feira pelo estreito de Ormuz, em comparação com cinco no primeiro dia do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão, afirmou esta sexta-feira a plataforma de monitorização marítima MarineTraffic.

"Em 09 de abril, o número de navios que cruzaram o estreito aumentou para nove diários, face aos cinco do dia anterior, mas o tráfego mantém-se muito abaixo do que indicaria uma normalização generalizada", disse a MarineTraffic.

O cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor na quarta-feira e estava condicionado à retoma do tráfego pelo estreito, por onde passa um quinto do petróleo e gás comercializado no mundo.

A via estratégica tem estado praticamente bloqueada pelo Irão desde o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.

A MarineTraffic precisou que "o ambiente operacional parece praticamente inalterado" no estreito.

Registam-se "movimentos ainda limitados a passagens autorizadas sob estritas medidas de controlo, em vez de uma reabertura total impulsionada por um cessar-fogo", referiu numa análise divulgada na internet, citada pela agência de notícias espanhola EFE.

Dos navios que transitaram por Ormuz na quinta-feira, cinco estavam autorizados e dois pertenciam à frota de reserva, de acordo com a MarineTraffic.

A maioria transportava carga a granel e produtos petrolíferos.

Os fluxos direcionais mantiveram-se "relativamente equilibrados, com uma ligeira tendência para os movimentos de oeste para leste" do estreito, ou seja, de saída do golfo Pérsico.

"É provável que a maioria dos participantes do mercado continue na expectativa, à espera de provas mais claras de que a passagem pelo estreito de Ormuz pode manter-se de forma segura e previsível", considerou.

A plataforma com sede em Atenas e comprada pela belga Kpler admitiu que o recente aumento de travessias pode dever-se a "uma flexibilidade operacional seletiva", e não a um retorno generalizado do tráfego.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, denunciou na quinta-feira nas redes sociais que o Irão estava a fazer "um trabalho muito deficiente" na autorização de passagem de petroleiros pelo estreito de Ormuz.

Trump assinalou que não foi isso com que Washington e Teerão concordaram ao declararem um cessar-fogo de duas semanas.

Além de bloquear o estreito, o Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com o lançamento de mísseis e drones contra alvos militares e energéticos nos países do golfo Pérsico.

A guerra causou até agora mais de quatro mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e uma subida acentuada dos preços da energia que fez recear uma crise inflacionária a nível global.

Já hoje, ficou a saber-se que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) dos Estados Unidos subiu em março para 3,3% em termos homólogos, o nível mais alto desde maio de 2024.

A subida foi impulsionada pelos elevados preços da gasolina devido à guerra no Irão, noticiou a EFE.

A inflação subjacente, que exclui os índices voláteis da energia e dos alimentos, aumentou para 2,6%, mais uma décima do que em fevereiro.

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