Direção regional acusa o Governo de estar "subordinada" a Washington.
A Direção Regional do PCP/Açores (DORAA) criticou este domingo "a permissão" da utilização da Base das Lajes, na Terceira, alertando que "o alinhamento" dos Governos da República e açoriano com "a estratégia" norte-americana poderá ter consequências para as populações.
"O PCP condena o alinhamento e a subordinação do Governo da República e do Governo Regional à estratégia e aos propósitos dos Estados Unidos da América, da NATO e da UE [União Europeia]", apontou o coordenador regional do PCP, Marco Varela, numa conferência de imprensa para divulgar as conclusões da reunião da DORAA, que decorreu no sábado, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
A direção regional criticou "a permissão da utilização da Base das Lajes, em operações de agressão contra outros povos, nomeadamente contra o Irão", que "afrontam os princípios da Constituição da República Portuguesa e do direito internacional e são contrárias aos interesses do povo português".
Para o PCP/Açores, "mais cedo ou mais tarde" estas situações "trazem consequências" para a vida das populações, dando como exemplo o anúncio do "enorme aumento dos combustíveis" e terá reflexo "noutros bens e serviços".
Segundo o PCP/Açores, está-se perante "uma situação internacional particularmente problemática", considerando "inaceitáveis" as "sucessivas violações do direito internacional" dos Estados Unidos da América, que "não olham a meios para atingir os seus fins".
Já numa análise à situação política e social, a direção regional do PCP considerou que no continente e nos Açores, nota-se "cada vez mais" um "grave desequilíbrio social", marcado pelo aumento do custo de vida "em vários setores, com destaque para a habitação, considerando que os problemas "persistem" devido às "velhas receitas e políticas".
"A nível interno, tanto o Governo da República como o Governo Regional teimam em conduzir uma política que só beneficia e privilegia uma minoria. Nada de novo: esta é a política de direita na sua plenitude, que tem o apoio do Chega e a cumplicidade do PS", afirmou Marco Varela.
Na região, o partido criticou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), porque "insiste numa estratégia de privatizações feitas a qualquer preço" e manifestou preocupação com "o cenário de uma venda direta da Azores Airlines", do grupo de avião açoriano SATA, após "a desastrosa experiência" do concurso de privatização.
"Abre-se agora o cenário de uma venda direta da Azores Airlines, possivelmente ainda mais prejudicial aos interesses da região, sem garantias de salvaguarda dos postos de trabalho e de defesa do direito à mobilidade dos açorianos", alertou.
O partido defende a manutenção de uma SATA pública e a interrupção do processo de privatização da Azores Airlines e do 'handling'(serviço de assistência em escala), criticando igualmente "a orientação" de privatizar os campos de golfe, a SEGMA e a Global EDA (empresas do grupo EDA-Eletricidde dos Açores), "sem se saber se estão salvaguardados os postos de trabalho e os direitos destes trabalhadores".
Por outro lado, acusou os Governos da República e Regional de seguirem uma política que "só beneficia e privilegia uma minoria" com "o apoio do Chega e a cumplicidade do PS".
O partido adiantou ainda que tem previstas diversas iniciativas, para março, no âmbito das comemorações dos 105 anos do PCP, com o lema "Projeto. Luta. Confiança", assegurando o compromisso de estar em cada concelho e em cada ilha.
A direção regional destacou ainda o Dia Internacional da Mulher, que se assinala este domingo, considerando tratar-se de "um momento importante de um caminho de emancipação que ainda se tem de percorrer".
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