Presidente sírio Ahmad al-Sharaa invoca o impacto da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão nas economias europeias.
O presidente sírio declarou esta segunda-feira a Síria como "porto seguro" para as cadeias de abastecimento globais devido à sua localização geográfica, invocando o impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão nas economias europeias.
"A Síria é um porto seguro para as cadeias de abastecimento devido à sua localização estratégica. Isto aplica-se ao transporte de energia através da sua ligação ao Mediterrâneo. Assim, é possível exportar mercadorias através da Síria de forma rápida e segura para a Europa sem ter de atravessar o Mar Vermelho ou o Estreito de Ormuz", declarou Ahmad al-Sharaa num evento no Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão.
Al-Sharaa sublinhou que a Síria enfrenta atualmente muitos riscos devido aos conflitos na região, que representam "grandes perigos para as relações comerciais entre o Oriente e o Ocidente", referindo-se às dificuldades na cadeia de abastecimento energético dos Estados do Golfo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, por sua vez, celebrou o facto de a guerra do Irão - iniciada em 28 de fevereiro com ataques norte-americanos e israelitas a Teerão - não se ter alastrado para o território sírio, sendo um "grande sucesso" para o governo de Al-Charaa.
O presidente sírio apontou como "um novo começo" a queda do regime de Bashar al-Assad, no final de 2024, e a "destruição gigantesca" deixada por catorze anos de guerra civil, um conflito que não vê como "o fim da história da Síria".
A este respeito, observou que várias leis de investimento foram alteradas no ano passado e que foram feitas melhorias no quadro legal, tudo sob a bandeira da "reconstrução e do investimento".
"Incentivamos as empresas a considerarem a Síria como uma oportunidade de investimento onde o sucesso é possível", disse o líder sírio.
Al-Charaa salientou que a Síria oferece significativas oportunidades de investimento em infraestruturas em todos os setores, incluindo o turismo, uma área na qual o país também aspira à reconstrução.
Referiu-se ainda à diáspora síria na Europa, nomeadamente aos 1,3 milhões de sírios que vivem na Alemanha, que adquiriram muitas competências e conhecimentos especializados que podem agora trazer de volta para o país através de investimentos.
Por esse motivo, al-Sharaa convidou as empresas alemãs a visitarem a Síria para conhecerem em primeira mão a situação no terreno.
Wadephul afirmou que "a Síria tem um grande potencial para se desenvolver como parte da vizinhança europeia, do espaço económico comum, como mercado, mas também como produtor e, acima de tudo, como parceiro", sublinhando que o país é um ponto estratégico entre a Europa, os Estados do Golfo e a região Indo-Pacífica.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão manifestou a sua convicção de que a Alemanha tem um papel importante a desempenhar no desenvolvimento económico da Síria e que, a médio e longo prazo, as oportunidades de cooperação e intercâmbio económico entre os dois países "são enormes".
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