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Teerão rejeita qualquer intromissão dos EUA na gestão do estreito de Ormuz

Trump acusou Teerão de quebrar um acordo para pôr fim ao conflito, reavivado depois de ter declarado que o Irão tinha quebrado o cessar-fogo de abril.

13 de julho de 2026 às 15:53

O Irão advertiu esta segunda-feira que impedirá os Estados Unidos de interferirem na gestão do estratégico estreito de Ormuz, no centro do reatar das hostilidades nos últimos dias no Médio Oriente.

Teerão "não permitirá em circunstância alguma" que os Estados Unidos se imiscuam na gestão da via marítima, declarou o porta-voz das forças armadas, Ebrahim Zolfaghari, numa mensagem de vídeo.

Zolfaghari advertiu também os países do golfo Pérsico de que qualquer cooperação com Washington será considerada por Teerão como "um ato de guerra", segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

A declaração surgiu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado esta segunda-feira que os Estados Unidos se vão tornar no guardião do estreito de Ormuz e sugerido uma compensação para Washington.

"Vamos dar-lhes um golpe muito forte [ao Irão], e vamos manter o estreito seguro, e provavelmente vamos administrá-lo. Tornar-nos-emos o guardião do estreito. (...) E deveríamos ser compensados por isso", afirmou Trump à televisão norte-americana Fox News.

Trump disse que os Estados Unidos devem ser compensados porque as "outras nações" que beneficiam do tráfego pela via marítima, por onde passava 20% do crude mundial até ao início da guerra, "são muito ricas".

"Estão do nosso lado, e não se pode esperar que façamos isso de graça. (...) O que queremos é ser reembolsados por fazer tudo isto, por colocar a nossa gente em perigo", insistiu, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Trump acusou Teerão de quebrar um acordo para pôr fim ao conflito, reavivado depois de ter declarado que o Irão tinha quebrado o cessar-fogo de abril.

As forças norte-americanas têm bombardeado alvos iranianos em retaliação por disparos contra navios que tentam passar pelo estreito.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva de grande envergadura contra o Irão, que respondeu com ataques a países da região e o bloqueio de Ormuz.

Os Guardas da Revolução iranianos consideraram que a intervenção militar dos Estados Unidos no estreito "pôs gravemente em perigo a segurança do abastecimento" mundial de petróleo.

Os Estados Unidos "devem ser responsabilizados por isso", declarou o porta-voz da poderosa força militar, Hossein Mohebi.

O porta-voz assegurou que o Irão "continuará a exercer a soberania e o controlo sobre a gestão do estreito de Ormuz", contrariando as declarações anteriores do Presidente dos Estados Unidos.

Os efeitos da guerra lançada pela ofensiva israelo-americana contra o Irão perturbaram os mercados internacionais de energia e fizeram recear uma recessão na economia a nível global.

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