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Duas mulheres em preventiva e funcionário das Finanças suspenso por suspeita de regularização fraudulenta de imigrantes

Arguidas ficaram proibidas de contactos com arguidos e restantes intervenientes no processo, afirmou esta segunda-feira a Procuradoria-Geral Regional de Coimbra. Um chefe de serviço das Finanças ficou suspenso de funções.

13 de julho de 2026 às 15:37

Tribunal de Instrução de Coimbra decretou esta segunda-feira prisão preventiva para duas mulheres ligadas a escritório de contabilidade e suspensão de funções para chefe de serviço das Finanças, ambos suspeitos de participarem na regularização fraudulenta de milhares de imigrantes.

Além da prisão preventiva, as duas arguidas ficaram proibidas de contactos com arguidos e restantes intervenientes no processo, afirmou esta segunda-feira a Procuradoria-Geral Regional de Coimbra, em nota publicada no seu 'site'.

Já um chefe de serviço das Finanças que também pertenceria ao grupo ficou com as suas funções suspensas, assim como proibido de contactar com arguidos, intervenientes e funcionários do serviço das Finanças que chefiava, bem como de entrar nas instalações.

O Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra determinou ainda a um quarto arguido, de nacionalidade estrangeira, a obrigação de apresentações periódicas, contacto com os restantes suspeitos e proibição de se ausentar do país, tendo de entregar o seu passaporte, referiu a nota da Procuradoria Regional.

Os quatro arguidos tinham sido detidos na semana passada, no âmbito da operação "Neblina Atlântica", suspeitos de pertencerem a grupo que terá lucrado milhões de euros com a regularização fraudulenta de milhares de imigrantes, a maioria a viver noutros países da Europa.

Os arguidos são suspeitos da prática de crimes associação de auxílio à imigração ilegal, auxílio à imigração ilegal, corrupção e branqueamento.

A operação policial "Neblina Atlântica" levou à detenção de cinco pessoas, entre as quais um funcionário das Finanças a trabalhar na região Centro, e à constituição de outros 15 arguidos, num processo que procurava desmantelar um grupo que terá regularizado milhares de imigrantes, oriundos, sobretudo, do Brasil, disse o diretor da Diretoria do Centro, Avelino Lima, em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira.

Fonte da PJ do Centro aclarou que, apesar de se ter registado uma quinta detenção, no âmbito da operação, esse outro suspeito foi detido apenas por posse de arma proibida e a sua detenção foi oficializada num processo à parte.

Aquando da conferência de imprensa sobre a operação, o responsável da Polícia Judiciária (PJ) do Centro, Avelino Lima, afirmou que o grupo atuava sobretudo na região, nomeadamente entre Cantanhede e Mealhada.

Os detidos terão criado um grupo que se mascarava junto dos migrantes como "um prestador de serviços" a operar legalmente, cobrando, à cabeça, 200 euros por cada processo iniciado, aclarou.

Mediante as necessidades de cada processo de regularização, o grupo cobrava outros valores, assegurando questões como a criação do número de identificação fiscal, o registo de contratos de trabalho em empresas, "umas reais, outras fictícias" ou ainda a qualificação dos seus clientes como trabalhadores a título individual, passando recibos verdes, disse Avelino Lima.

A "grande maioria" dos imigrantes que pagou por estes serviços "não está sequer em Portugal", encontrando-se sobretudo a viver na Bélgica, França e Suíça, acrescentou.

Avelino Lima afirmou que poderão estar em causa perto de dez mil imigrantes associados a este grupo, mas admitiu que o número ainda está a ser apurado, recordando que há processos iniciados em 2022.

O diretor da PJ do Centro alertou para a capacidade que estes grupos têm para se infiltrarem em estruturas do Estado -- face aos proveitos económicos que geram.

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