Número contrasta com a média diária de 100 a 120 navios que passavam por esta passagem marítima antes do início do conflito armado.
O tráfego através do estreito de Ormuz aumentou para cerca de 31 navios por dia desde o acordo de paz entre Estados Unidos e Irão, indicou esta quarta-feira a plataforma que monitoriza o transporte marítimo mundial Kpler.
O número contrasta com a média diária de 100 a 120 navios que passavam por esta passagem marítima antes do início do conflito armado, iniciado a 28 de fevereiro, desencadeado pela ofensiva militar de EUA e Israel.
A análise da Kpler apontou que as 31 travessias correspondem a uma variedade de embarcações, tais como as que transportam petróleo, produtos químicos, porta-contentores, graneleiros e cargueiros em geral.
Das 31 travessias, 20 correspondem a deslocações de oeste para leste, ou seja, do golfo Pérsico para o golfo de Omã em direção ao mar Arábico. Três navios sujeitos a sanções navegaram na direção oposta.
A Kpler sublinhou que este aumento repentino da atividade surgiu na sequência do memorando de entendimento marítimo assinado na semana passada entre Washington e Teerão para pôr fim ao conflito e abrir corredores seguros.
Uma vez que não foram confirmados novos ataques desde maio, a situação está a melhorar, embora ainda não se tenha normalizado completamente, acrescentou a plataforma.
O estreito de Ormuz é considerado uma via marítima importante por onde passam 20% do petróleo bruto consumido globalmente, especialmente nos países asiáticos.
Além de levar a um aumento dos preços da energia, o bloqueio imposto pelo Irão há quase quatro meses em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas deixou retidos cerca de 1.600 navios e 20 mil tripulantes, disse a Organização Marítima Internacional (OMI) a 15 de junho.
Já na terça-feira, a OMI anunciado um plano para retirar mais de 11 mil marinheiros ainda retidos no estreito de Ormuz. Esta quarta-feira, a mesma organização divulgou um conjunto de instruções destinadas aos navios, aos quais pediu para permanecerem na atual posição a aguardar orientações antes de iniciar a navegação.
O objetivo é evitar o congestionamento e mitigar os riscos relacionados com minas e condições de navegação deterioradas, explicou.
A agência da ONU indicou que a movimentação terá início assim que os navios forem contactados através do mecanismo coordenado em que participam a OMI, o Centro de Operações Marítimas do Reino Unido (UKMTO) e o Centro de Excelência da Marinha Nacional Francesa (MICA), e mediante instruções emitidas pelos Estados costeiros, Irão e Omã.
O UKMTO é uma agência britânica dependente da marinha britânica que funciona como o principal elo de comunicação e segurança entre as forças militares internacionais e a marinha mercante internacional, enquanto o MICA zela pela segurança marítima mundial.
Assim que for contactado, o navio receberá instruções para se dirigir para uma zona de espera designada e poderá começar a coordenar a rota que desejar, seja junto à costa do Irão ou junto a Omã.
A seguradora alemã Allianz estimou que 110 mil milhões de euros em carga esperam para poder transitar pelo estreito de Ormuz e admitiu esta quarta-feira que as tensões no Médio Oriente podem aumentar os seguros e consequentemente os custos do comércio marítimo internacional.
O presidente do Conselho de Administração da Allianz Commercial, Thomas Lillelund, disse que o conflito no Médio Oriente e o encerramento do estreito de Ormuz são apenas os casos mais recentes de uma série de incidentes graves que afetaram armadores e operadores de carga.
"A resiliência, a geopolítica e a eficiência devem ser equilibradas num mundo cada vez mais imprevisível, onde o custo da incerteza está a redefinir o setor marítimo", sublinhou.
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