page view

Trânsito pelo Estreito do Ormuz reduzido para menos de 10% em março

Navios ligados ao Irão representam 24% do tráfego. Seguem-se os armadores e operadores gregos.

18 de março de 2026 às 18:51

O trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz desde o início de março caiu para menos de 10% comparando com o ano passado, segundo números da publicação especializada sobre navegação marítima Lloyd's List Intelligence.

Entre 01 e 17 de março foram registadas 105 travessias, contra 1.870 no mesmo período de 2025, incluindo cargueiros, petroleiros e porta-contentores, revelou a jornalista e analista Bridget Diakun durante o 'webinar' "A segurança do Estreito de Ormuz em tempo de guerra: opções militares e desafios estratégicos", organizado pelo centro de estudos britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

"Os navios ligados ao Irão representam 24% do tráfego. Seguem-se os armadores e operadores gregos e, por último, temos a China com cerca de 10%. Os armadores e operadores gregos têm, em geral, uma maior tolerância ao risco", indicou.

A mesma analista indicou que a maioria dos navios manteve o sistema de identificação automática ligado, mas que foram registadas 29 "passagens às escuras" desde o início do mês, fenómeno associado tanto a preocupações de segurança como a tentativas de ocultar atividades iranianas sancionadas.

Diakun frisou que não existe um conjunto formal de condições para a normalização do tráfego, cabendo a cada armador e operador decidir em função do seu próprio perfil de risco, mas que o sector marítimo procura "garantias explícitas" de Teerão ou dos Guardas da Revolução de que os ataques cessarão ou escoltas militares.

Para o antigo oficial da força aérea britânica Martin Sampson, uma operação para garantir a segurança do estreito de Ormuz terá de ser integrada na intervenção militar dos Estados Unidos e Israel no Irão.

"Trata-se de algo mais do que a definição de prioridades dos recursos ou a repartição das atividades. Esta será uma mudança fundamental no planeamento e na execução da campanha", afirmou.

Na opinião de Sampson, que é diretor executivo do centro de estudos britânico IISS-Médio Oriente, uma operação deste tipo deve integrar todas as partes interessadas, "tanto militares como não militares, do setor dos transportes marítimos e de outras nações".

O analista advertiu que a missão terá implicações diretas no volume de meios exigidos e no grau de concentração de forças, que poderão tornar-se um alvo para Teerão.

"A questão fundamental, para mim, é: até que ponto os EUA estão dispostos sofrer? Até ao momento, [registaram] 13 mortos em combate e mais de 200 feridos", lembrou.

Os Estados Unidos e aliados estão a estudar opções militares para garantir a segurança do Estreito de Ormuz perante uma queda do tráfego marítimo e riscos crescentes para a economia e a segurança alimentar globais.

Por aquela passagem transita não só uma parte importante das exportações energéticas do Golfo, como também rotas essenciais de cadeias de abastecimento alimentares e industriais, incluindo um terço dos fertilizantes comercializados globalmente, o que levanta receios sobre a segurança alimentar de dezenas de milhões de pessoas.

Segundo o IISS, os Estados do Golfo também dependem do estreito para até 70% das suas importações alimentares.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8