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Presidente interina da Venezuela volta a defender a abertura de um diálogo com a oposição

Delcy Rodriguez apelou a que se cheguem a "acordos" a bem "do povo da Venezuela".

25 de janeiro de 2026 às 07:18

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, apelou no sábado para que se chegasse a "acordos com a oposição", três semanas após a operação americana que levou à captura do Presidente Nicolas Maduro.

"Apesar das nossas diferenças, temos de nos reunir e chegar a acordos. Porquê? Bem, pelo povo da Venezuela", declarou na televisão nacional Rodriguez, cujo estatuto de presidente interino, de acordo com a Constituição, pode durar seis meses antes de novas eleições.

"Não pode haver divergências políticas ou partidárias quando se trata da paz da Venezuela", acrescentou.

Milhares de apoiantes de Nicolas Maduro voltaram a manifestar-se na sexta-feira em Caracas e noutras cidades venezuelanas para exigir o regresso do presidente deposto e da sua esposa.

No mesmo dia, Rodríguez solicitou ao presidente da Assembleia Nacional do Parlamento, o seu irmão Jorge Rodríguez, uma reunião com as diferentes facções políticas, afirmando querer um diálogo com "resultados concretos e imediatos".

"Que seja um diálogo político venezuelano, onde não se imponham mais ordens externas, nem de Washington, nem de Bogotá, nem de Madrid. Um diálogo político nacional (...), que seja para o bem comum da Venezuela", declarou então.

Desde a tomada de posse a 5 de janeiro, Delcy Rodriguez, sob pressão dos Estados Unidos, prometeu libertar prisioneiros políticos, assinou acordos petrolíferos com os Estados Unidos e iniciou uma reforma legislativa, que inclui, nomeadamente, a lei sobre os hidrocarbonetos.

Graças a esta reforma, que deverá abrir o setor ao setor privado, a Venezuela pretende aumentar a produção de petróleo "em, pelo menos, 18% em 2026", afirmou no sábado o presidente da gigante petrolífera estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA), Hector Obregon.

A produção atual é de cerca de 1,2 milhões de barris por dia (bp), segundo as autoridades, longe do pico de mais de três milhões no início dos anos 2000, o que os analistas explicam dever-se ao subinvestimento e à corrupção no setor.

A exploração das reservas petrolíferas da Venezuela era, até agora, prerrogativa do Estado ou de empresas mistas, nas quais o Estado detinha a maioria.

O projeto de lei prevê que "empresas privadas domiciliadas" na Venezuela poderão explorar o petróleo, uma vez assinados os respetivos contratos.

Aprovada em primeira leitura na quinta-feira, a lei deverá ser aprovada definitivamente nos próximos dias, já que o Governo detém a maioria absoluta na Assembleia Nacional, após o boicote das eleições legislativas pela oposição em 2025.

Quanto à libertação de prisioneiros políticos, prometida pela presidente interina, as mesmas estão a ocorrer aos poucos: desde o anúncio em 08 de janeiro, apenas cerca de 150 pessoas, de um total de mais de 800 detidos políticos, foram libertadas, de acordo com um balanço da ONG Foro Penal.

Na semana passada, a Casa Branca anunciou que pretende convidar Delcy Rodriguez a visitar os Estados Unidos, ainda que não tenha avançado uma data, após várias declarações elogiosas do Presidente norte-americano, Donald Trump, a seu respeito.

Em declarações por vezes contraditórias, o Presidente norte-americano, que quer --- segundo analistas --- evitar um cenário iraquiano com uma implosão da Administração do país, já havia afirmado que a opositora e Nobel da Paz Maria Corina Machado não estava qualificada para governar a Venezuela, garantindo, não obstante, querer "envolvê-la".

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