Delcy Rodríguez, que continua sob sanções norte-americanas, seria a primeira líder venezuelana a visitar os Estados Unidos em mais de um quarto de século.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, antiga 'número 2' de Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos no início do ano, vai visitar Donald Trump em Washington, adiantou quarta-feira fonte da Casa Branca.
Delcy Rodríguez, que continua sob sanções norte-americanas, seria a primeira líder venezuelana a visitar os Estados Unidos em mais de um quarto de século, excluindo os presidentes que participam nas reuniões das Nações Unidas em Nova Iorque.
Este convite, sem data definida, e divulgado por fonte da Casa Branca, demonstra mais uma vez que o presidente norte-americano, que afirmou estar a "trabalhar bem" com Rodríguez, pretende adotar uma estratégia pragmática com a Venezuela, noticiou a agência France-Presse (AFP).
Caracas e Washington já garantiram acordos petrolíferos e a promessa de libertação de prisioneiros.
No entanto, Trump parece estar a manter as suas opções em aberto, depois de na terça-feira ter manifestado o seu desejo de envolver a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, na governação do país.
A visita de Rodríguez, que não foi confirmada por Caracas, seria um acontecimento significativo, pois a última vez que um chefe de Estado venezuelano se deslocou aos Estados Unidos para um encontro oficial com um Presidente americano foi na década de 1990, quando Carlos Andrés Pérez se reuniu com George H.W. Bush (pai).
A viragem socialista sob Hugo Chávez (1999-2013) aumentou a tensão nas relações, que rapidamente se tornaram conflituosas.
Empossada em 5 de Janeiro, dois dias após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, Delcy Rodríguez parece estar a fazer várias concessões sob pressão de Washington.
Trump não hesitou em ameaçá-la com outro ataque, caso não respondesse positivamente às suas exigências.
Além dos acordos petrolíferos e a libertação de presos políticos, a líder interina afastou Alex Saab, considerado um aliado de Maduro, dos corredores do poder e prometeu reformas legislativas para facilitar o investimento.
Os voos de deportação de migrantes dos Estados Unidos para a Venezuela também foram retomados.
A Plataforma Unitária Democrática (PUD), que representa a maioria da oposição venezuelana, denunciou esta quarta-feira que mais de 946 presos políticos "continuam a aguardar a sua liberdade", em pleno processo de libertação anunciado em 08 de janeiro.
"É urgente que as libertações em massa sejam realizadas imediatamente, constituindo um sinal inequívoco de gestos reais a favor da reconciliação e de uma transição genuína", declarou a plataforma num comunicado divulgado na rede social X.
A PUD indicou que nos últimos dois dias recebeu informações sobre três novas libertações, elevando o número total de libertados para 166 desde 08 de Janeiro.
Para a oposição, as libertações "a conta gotas" são "um sinal contraditório" às recentes declarações das autoridades, sublinhando que "mais de 80%" dos presos políticos "ainda aguardam" a liberdade plena.
A ONG Provea solicitou esta quarta-feira a publicação da lista dos presos políticos libertados no país, após o presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), o chavista Jorge Rodríguez, ter manifestado disponibilidade para divulgar os nomes dos que foram libertados.
A ONG Foro Penal, que lidera a defesa jurídica dos detidos por motivos políticos, adiantou na segunda-feira que registou um total de 777 casos na Venezuela e contabilizou também 143 libertações entre 08 de janeiro e segunda-feira.
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