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António Filipe alerta para desinvestimento na ferrovia

Candidato considerou que desinvestimento é um reflexo das políticas "de abandono do interior" do país.

07 de janeiro de 2026 às 19:53

O candidato presidencial António Filipe alertou esta quarta-feira em Cuba, distrito de Beja, para o desinvestimento na ferrovia, considerando que é um reflexo das políticas "de abandono do interior" do país.

O candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV foi à estação ferroviária de Cuba fazer uma declaração sobre o estado da ferrovia em Portugal, considerando que a "situação é inaceitável" e que é "um reflexo de um enorme desinvestimento" neste setor.

"Nós temos anúncios, mas ao mesmo tempo temos também adiamentos e, portanto, não estamos a verificar que haja uma vontade política a sério de reverter esta situação e é um reflexo de políticas de abandono no interior do país, que se traduzem em más acessibilidades, encerramento de serviços públicos, dificuldades para que as populações se possam fixar nos territórios e isso compromete o desenvolvimento equilibrado do país", salientou.

Por isso, justificou, que, na sua opinião, "fazia todo o sentido" vir a Cuba "alertar para este problema".

"E também deixar claro que são esses problemas concretos que dizem respeito ao dia-a-dia das populações que, do meu ponto de vista, deveriam estar no centro do debate político em torno das eleições presidenciais", defendeu.

António Filipe apontou que a linha ferroviária que passa em Cuba não está eletrificada , que tem havido um adiamento sucessivo na modernização desta linha "sabe-se lá para quando".

"E aquilo que vemos é que alguém que queira ir de comboio de Beja a Faro tem que apanhar uma automotora de Beja, depois passar aqui para Casa Branca, depois tem que apanhar um comboio de Casa Branca até a Pinhal Novo, e depois a Pilhão Novo é que apanham o intercidades para Faro e isto não pode ser", exemplificou.

Já em Aljustrel, António Filipe lembrou a luta dos mineiros e a carga de água da GNR a que assistiu numa campanha presidencial e voltou a insistir que a sua candidatura que dar centralidade aos trabalhadores.

"Portanto, ser a candidatura dos trabalhadores não é uma afirmação vã, tem que ver com o posicionamento desta candidatura e a centralidade que esta candidatura tem em termos políticos", realçou, durante uma sessão nas instalações do Sindicato dos Trabalhadores da Industria Mineira.

Depois de um dia em que por várias vezes foi desafiado a falar sobre uma desistência da sua candidatura, António Filipe falou sobre pressões.

"Nós agora temos visto aí algumas pressões (...) como há muitos candidatos de direita, bom, isto melhor é desistir de haver uma candidatura de esquerda e votar um candidato 'assim-assim', porque ainda há outros que são piores. Isto faz algum sentido?", comentou.

Para o ex-deputado comunista, "a esquerda tem de votar no candidato de esquerda, não é no candidato mais ou menos".

"Porque se nós abdicarmos do nosso direito de voto, abdicarmos das nossas convicções, estamos a desistir (...) Estamos a desistir de uma luta antes de a travar e não há razão nenhuma para desistir desta luta antes de a travar, porque estamos cá para afirmar uma candidatura de esquerda", referiu ainda, antes de partir para Beja, para um jantar com apoiantes.

Os 11 candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.

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