page view

António Filipe ergue bandeira da Constituição contra o pacote laboral

Durante a campanha apostou no contacto com trabalhadores e apoiantes e assumiu-se como o candidato que não desiste, apesar de pressões para uma convergência à esquerda.

15 de janeiro de 2026 às 11:30

A Constituição foi a bandeira de António Filipe nesta campanha, durante a qual apostou no contacto com trabalhadores e apoiantes e se assumiu como o candidato que não desiste, apesar de pressões para uma convergência à esquerda.

António Filipe entrou na campanha às eleições presidenciais de domingo para mostrar que é o candidato que quer cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa que emanou dos valores da Revolução de 25 de Abril.

Cruzou o país para realçar os problemas reais e posicionar-se ao lado dos trabalhadores, fazendo questão de dia após dia e em todos os seus discursos garantir que, como Presidente da República, rejeitará o pacote laboral proposto pelo Governo.

Foi também por isso que se associou à manifestação convocada pela CGTP-IN, que se realizou na terça-feira, em Lisboa.

Durante a primeira semana de campanha oficial privilegiou o contacto com apoiantes e trabalhadores em iniciativas dentro de portas.

Sentou-se com trabalhadores por turnos e noturnos, da área da cultura, com mulheres e famílias, subiu a um barco para falar com pescadores e passou por Pedrógão Grande para homenagear os bombeiros e pedir mais investimento na prevenção contra os incêndios e na floresta.

Os problemas da saúde entraram em força nesta corrida eleitoral depois da morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência médica e António Filipe aproveitou para atacar o Governo e o primeiro-ministro, alertando para o desinvestimento e para a "degradação acelerada" do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Pelo meio foi falando ainda de habitação, de pensões, imigração e da emigração dos jovens, do despovoamento do mundo rural, de investigação e agricultura.

Foi uma campanha inicial com pouca rua e contacto com a população, não visitou mercados ou feiras e, só no arranque da segunda e última semana de campanha, é que saiu em arruadas.

Ao longo dos dias, o ex-deputado comunista na Assembleia da República foi reafirmando que a sua candidatura de esquerda "não é satélite, que era "necessária" e "insubstituível", e que avançou contra os candidatos do "consenso neoliberal" e que, na altura (junho), já eram conhecidos: Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e António José Seguro.

Quis também desmontar a ideia de uma "esquerda derrotada" e, sempre que surgiram pressões para uma desistência e convergência à esquerda, contra-atacou, reafirmando que não desiste e que não anda aos ziguezagues a fingir nuns dias que vai até ao fim e noutros que desiste.

Apesar das sondagens desfavoráveis, foi desmontando os apelos ao voto útil, dizendo ter a "ambição legítima" de lutar pelo resultado, de passar à segunda volta, sem nunca comentar eventuais cenários políticos ou vencedores após as eleições de domingo.

Ao mesmo tempo, foi alertando os eleitores de que não se pode votar "com base no medo", que a conquista do direito de voto foi demasiado importante para que se deite "pela borda fora" e recusou-se "ao número" de entregar o cartão do partido, sublinhando que "em momento algum" renegará a sua origem política, mas fazendo questão de salientar que a sua candidatura "não tem fronteiras partidárias".

A Revolução de 25 de Abril foi também bandeira para António Filipe, que deu o arranque à campanha oficial na antiga fortaleza e prisão de Peniche, transformados em Museu da Resistência, e onde recebeu o apoio de 159 presos políticos no tempo da ditadura.

Por isso, agora, numa altura em que a direita controla todos os órgãos de soberania e em que a "direita mais reacionária" se assume com "uma arrogância sem precedentes", o candidato apoiado pelo PCP e PEV fez questão de assumir o "valor antifascista" do movimento que encabeça.

Com uma campanha a apostar principalmente nos distritos mais populosos do país, como Lisboa e Setúbal, as iniciativas, desde comícios, a sessões públicas, almoços ou jantares com apoiantes terminaram sempre ao som de "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, e do hino nacional.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8