Desde o início do período oficial de campanha e até quarta-feira à noite, passaram pela volta do candidato apoiado por PSD e CDS-PP oito ministros.
A campanha presidencial de Luís Marques Mendes fez da defesa da estabilidade política o seu pilar, com a presença de muitos membros do Governo, e escolheu o adversário João Cotrim Figueiredo como alvo principal das críticas.
Desde o início do período oficial de campanha e até quarta-feira à noite, passaram pela volta do candidato apoiado por PSD e CDS-PP oito ministros, metade do elenco ministerial -- dos quais seis discursaram em comícios ou sessões -, além do primeiro-ministro, que marcou o tom no primeiro dia oficial e na reta final.
Montenegro avisou no arranque, na Batalha, os eleitores do PSD e do CDS-PP para não brincarem com o seu voto e que escolher, na primeira volta, João Cotrim Figueiredo, o candidato apoiado pela IL, ou até António José Seguro (apoiado pelo PS) seria facilitar a passagem de "dois candidatos populistas" -- leia-se, André Ventura e Gouveia e Melo -- à segunda volta.
Numa campanha ensombrada, quase desde o arranque, por sondagens negativas, o líder do PSD e chefe do Governo regressou na quarta-feira à campanha, num dia em que um novo estudo de opinião colocou Marques Mendes com lugar na segunda volta para Belém, atrás de Ventura.
Já em Famalicão, o líder do PSD disse que o seu candidato é "o único que não tem atrelado projetos de governação encapotados" e reiterou o apelo à concentração de votos, para evitar a eleição de candidatos que colou aos extremos, colocando neste campo quer André Ventura quer António José Seguro.
"Seria masoquismo" que o espaço político mais representativo em Portugal não fosse uma opção na segunda volta, avisou.
Luís Marques Mendes apresentou-se nesta corrida eleitoral como o único "candidato da estabilidade", explicando que defender este valor não é "ser amigo do Governo, mas do país", e considerou que deixar um executivo - "este ou qualquer outro" -- cumprir a legislatura é cumprir a Constituição.
Nos últimos dias, avisou que a estabilidade é condição para "aumentar salários e pensões e baixar impostos", no fundo, para "servir o povo" e, sobre sondagens, vai dizendo que "está tudo em aberto".
A par da estabilidade, da sua maior preparação e do "valor da experiência" -- o seu 'slogan', contra o "tiros no escuro" que seriam alguns adversários -, Mendes também se afirmou como um candidato independente apesar dos apoios partidários, justificando com o que já fez no seu passado político e com a postura que adotaram os dois chefes de Estado do PSD, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.
Entre os adversários, o alvo preferencial de críticas foi, de longe, o candidato apoiado pela IL, inicialmente feitas apenas pelos oradores convidados, mas depois assumidas pelo próprio candidato, que acusou Cotrim de imaturidade e até não saber "onde tinha a cabeça", após as hesitações quanto a não excluir apoiar André Ventura numa segunda volta.
Se para Gouveia e Melo houve críticas indiretas pontuais, sobre Seguro só no final existiram alguns avisos de que era necessário evitar "um socialista" em Belém.
Quanto a Ventura, foram-se ouvindo alertas contra o populismo, com Marques Mendes a dizer aos eleitores moderados querer ser o "candidato que defende a democracia".
Apesar de prometer "ajudar o Governo", o candidato prometeu uma liderança "tranquila, mas firme", com a exigência de resultados concretos.
Nas ruas, Mendes foi abordado sobre várias questões da governação, com a saúde e as pensões à cabeça, neste último ponto concordando que há muitas reformas "de miséria".
Face às mortes que têm sido associadas a atrasos no socorro, o candidato começou por apontar baterias à direção executiva do SNS, mas acabou a dar "conselhos presidenciais" à ministra da Saúde, desafiando-o a explicar o que correu mal e o caminho que defende.
Se nem sempre a mobilização das bases foi notória, estiveram na campanha, de forma assídua, o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, o eurodeputado Sebastião Bugalho e o mandatário nacional Rui Moreira, numa campanha por onde passaram também figuras do PSD como Leonor Beleza ou o ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes, e do CDS-PP - António Lobo Xavier, Paulo Núncio, Telmo Correia - e muitos deputados e autarcas dos dois partidos, bem como independentes que apoiam Mendes.
A família do candidato presidencial esteve muito presente nestas duas semanas de campanha, com a mulher, Sofia Marques Mendes, sempre ao seu lado, e até discursou uma vez. Filhos e netos foram também aparecendo pontualmente, incluindo o mais novo, de apenas um mês.
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