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Gouveia e Melo acusa adversários de repetirem as suas ideias

Para o candidato, Portugal precisa de um novo modelo económico, que não será possível de alcançar "com as mesmas soluções" de há 20 anos.

07 de janeiro de 2026 às 22:36

O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo acusou esta quarta-feira os seus adversários de repetirem as suas ideias, sublinhando que algumas das suas posições passaram a ser um 'mantra', mesmo apesar de o culparem de não esclarecer as suas ideias.

"Eu, aliás, que é uma coisa curiosa, é que me foram acusando ao longo deste tempo de não esclarecer as minhas ideias, e o que é curioso é que repetiram todas as minhas ideias. Tudo o que eu escrevi foi repetido. E hoje passou a ser o 'mantra' de toda a gente", disse o candidato, num jantar com apoiantes na Póvoa de Varzim.

Para o candidato, Portugal precisa de um novo modelo económico, que não será possível de alcançar "com as mesmas soluções" de há 20 anos "e com gente reciclada destas soluções e que agora encontrou a luz e diz que vai ajudar a fazer tudo e mais alguma coisa só porque está em eleições".

No entanto, segundo o ex-almirante, essas pessoas não o vão fazer, por diversos motivos: "Primeiro, porque não têm capacidade para pensar fora da caixa. Segundo, porque estão presos a lógicas partidárias, divisivas e não para unir [...] E depois, para além disso, porque não olham para o futuro, para além da demagogia de dizer que precisamos de mudar".

Voltando a falar na insegurança internacional, Gouveia e Melo garantiu que, nesta área, os portugueses "podem contar com uma pessoa conhecedora, com experiência, com experiência vivida" que não é "a experiência de livros", mas sim alguém com muitas horas, dias e meses "de negociação, de operações e de perceber, verdadeiramente, o que é que está em risco e quais são os perigos geoestratégicos, geopolíticos e geoeconómicos" para o país.

Relativamente ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o ex-chefe do Estado-maior da Armada disse não poder detalhar, mas garantiu que fez "tudo o que podia enquanto militar para apoiar a Ucrânia na defesa da sua soberania e da sua capacidade", avisando, contudo, que é preciso ter cuidado "com certos voluntarismos".

"Quando nós dizemos que se houver paz vamos pôr soldados na Ucrânia, dá a sensação de que se estabelece a paz e ninguém vai violar a paz e, por isso, nós podemos ir para um território que naturalmente é pacífico. Não. Se houver paz e pusermos soldados na Ucrânia, nós corremos o risco de haver violações dessa paz, porque estamos a falar de uma fronteira muito instável e sermos imediatamente envolvidos num conflito, pensando que estávamos lá a fazer só uma interposição de paz. Portanto, temos que pensar nisso e isso é a experiência", defendeu.

Classificando a atual situação do mundo como "distópica", Gouveia e Melo defendeu que não se deve "andar atrás ou a reboque de interesses" que podem não ser os interesses dos portugueses, sem, no entanto, "tirar o apoio que é necessário em termos financeiros, em termos do treino ou de outros apoios necessários à Ucrânia", frisou.

No final do seu discurso, Gouveia e Melo gritou "Eu sou Portugal" e agarrou de forma veemente numa bandeira portuguesa, arrancando sonoros aplausos dos apoiantes que participaram no jantar da sua candidatura, em que marcou também presença o ex-ministro socialista Manuel Pizarro.

No final das intervenções, um grupo folclórico poveiro animou a noite, cantando as Janeiras.

Antes, ao final da tarde, Gouveia e Melo tinha visitado uma exploração agrícola de produção de leite, em Mindelo, no concelho de Vila do Conde, composta por cerca de 300 animais e que está na mesma família há mais de 50 anos.

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