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Gouveia e Melo ataca "boys" e promete exigir responsabilidades por falhas no Estado

Candidato à presidência reagia à morte do idoso no Seixal.

07 de janeiro de 2026 às 12:49

O candidato presidencial Gouveia e Melo criticou esta quarta-feira as nomeações de "boys" para lugares de competência técnica na administração pública e prometeu exigir responsabilidades e acabar com "desculpas" do poder político perante falhas no Estado.

Estas posições foram assumidas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de uma visita ao Porto de Leixões, depois de confrontado pelos jornalistas com o caso de um homem, no Seixal, que morreu na terça-feira após quase três horas à espera pelo socorro do INEM.

"Um Estado que falha consistentemente é um Estado que deve merecer a atenção do poder político. Não podemos continuamente falhar, falhar, falhar e acharmos que está tudo bem", reagiu o almirante, antes de deixar um conjunto de perguntas sobre apuramento de responsabilidades face a casos graves ocorridos em várias áreas do Estado.

"Quem é que são os responsáveis? Porquê é que falhou? Ninguém sabe. Já se sabe a razão de terem falhado os aviões que estavam no chão quando precisámos deles para combater incêndios? Parece-me que nunca há responsáveis para nada", criticou.

Neste contexto, fez uma alusão indireta ao que se está a passar no setor da saúde, falando então numa tática usada para não se assumirem responsabilidades.

Gouveia e Melo afirmou que "o poder político não pode andar a mudar os responsáveis de estruturas sempre que há um problema, como uma forma de se desculpar. Isso não pode acontecer. O Estado tem de mudar muito e a política portuguesa tem que mudar muito", declarou.

O almirante aceitou que algumas nomeações para cargos do Estado têm de possuir uma componente política.

"Mas, abaixo dessa componente política, não deve haver administrações políticas, deve haver administrações profissionais", sustentou. E deixou uma pergunta: "Queremos um Estado profissionalizado, capaz de nos dar respostas, ou queremos um Estado que basicamente serve para albergar um conjunto de clientelas dos partidos políticos?"

Antes, ainda durante a visita ao Porto de Leixões, Gouveia e Melo elogiou a desburocratização introduzidas nos portos portugueses nos últimos 20 anos, sobretudo nas cargas e descargas de mercadorias, através da adoção de 'software' nacional.

Porém, fez a seguir uma advertência: "É preciso não deixar que as estruturas políticas infiltrem lugares de alta competência técnica, totalmente baseadas no conhecimento".

"Não pode vir um 'boy' controlar uma coisa que não conhece só porque tem um cartão político. Infelizmente, isso acontece um pouco em toda a administração pública", acrescentou.

Se for eleito Presidente da República, Gouveia e Melo disse que uma das suas causas será a "missão de renovar o Estado, para que tenha um elevado nível de eficiência, com muito menor burocracia".

"O Estado precisa também de pagar melhor para reter talento e para que haja uma economia mais pujante em Portugal", completou.

Em contraponto às críticas que fez ao funcionamento do Estado, a propósito do caso mortal com um homem do Seixal, durante a sua visita ao Porto de Leixões, o almirante fez rasgados elogios à evolução tecnológica registada no setor das alfândegas nas duas últimas décadas.

De acordo com o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, nos últimos 20 anos, fez-se "uma simplificação administrativa, com uma redução significativa da burocracia, com utilização de tecnologia portuguesa".

"Agora, os dados sobre a entrada e saída de milhares de toneladas diárias de mercadorias são partilhados por todas as entidades", declarou, após ter ouvido que o Porto de Leixões movimenta cerca de 1500 camiões por dia.

Gouveia e Melo fez questão de comparar Portugal com outros países: "Ganhou-se uma imensa eficiência com a simplificação administrativa".

"Num porto em África, por exemplo, chega-se a esperar dez dias. Ora, isso é um verdadeiro imposto aplicado às mercadorias", concluiu.

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