O candidato à presidência da república defende que a negociação deve envolver todos os atores do sistema.
O candidato presidencial Gouveia e Melo disse esta segunda-feira concordar com a decisão do Presidente da República de devolver três decretos-lei sobre saúde, defendendo que a negociação deve envolver todos os atores do sistema.
"Concordo, nesta fase, que estes diplomas tivessem sido devolvidos" para o Governo os corrigir, "porque a negociação não deve ser um sistema opaco. A negociação deve envolver os atores do sistema e os diplomas têm de ser partilhados", considerou.
Gouveia e Melo falava aos jornalistas após uma visita ao Hospital Distrital de Portalegre, onde esteve reunido com a administração, aproveitando para transmitir que a saúde em Portugal não tem dado a resposta que os portugueses precisam e que há a "sensação de alguma insegurança" relacionada com problemas repetidos e que não têm sido resolvidos.
[...] A sensação que eu vou tendo é que na saúde existe um problema verdadeiramente de gestão e de organização e, por isso, consigo compreender a devolução recente dos três diplomas que o Sr. Presidente da República devolveu", disse o candidato, considerando "parece que o processo de negociação tem alguma opacidade, não envolve os atores todos do sistema".
O candidato reagia, assim, à decisão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de, na passada semana, ter devolvido ao Governo três decretos-lei aprovados em outubro sobre as novas regras da contratação de médicos tarefeiros, urgências regionais e sistema de gestão de listas de espera.
Questionado sobre se Marcelo Rebelo de Sousa deveria ter ido mais além no processo da devolução dos diplomas, Gouveia e Melo respondeu que a boa governação "não se faz nas televisões", mas sim, muitas vezes, "no silêncio dos gabinetes, nas conversas nos gabinetes".
"Quando essa boa governação obriga a uma visibilidade através dos meios de comunicação social, é porque qualquer coisa já não está a correr bem. Eu julgo que o que é mais importante é que os portugueses tenham as soluções e os resultados que nós pretendemos. Os portugueses estão cansados de promessas. Os portugueses querem resultados", sublinhou.
Questionado sobre o que faria neste processo se fosse Presidente da República, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada disse que no início "faria tudo o que poderia fazer nos bastidores", mas, se não houvesse resultados e não sentisse vontade de mudança, tomaria outras medidas.
"Mas havendo vontade de mudança e uma tentativa de melhorar o sistema, uma delas [das medidas] é publicitar o problema e usar os meios de comunicação, a tal magistratura de influências [...] mas nós devemos sempre privilegiar primeiro as soluções institucionais e de estabilidade", concluiu.
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