António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais a 08 de fevereiro.
José Eduardo Martins anunciou esta segunda-feira que votará em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, considerando-o um moderado e uma escolha de "clareza democrática" que faz "todo o sentido" para um social-democrata.
Também o antigo secretário-geral do PSD e presidente da Câmara Municipal de Cascais António Capucho, que apoiou Henrique Gouveia e Melo, anunciou, em declarações à TSF, que votará em António José Seguro, o candidato apoiado pelo PS que passou à segunda volta das presidenciais com o líder do Chega, André Ventura.
Para José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado do PSD e apoiante de Luís Marques Mendes, é impossível conciliar um voto em André Ventura com o "respeito pela Constituição, a defesa da democracia liberal, a dignidade da pessoa humana como valor central da ordem política e o reconhecimento do Estado social como pilar essencial de uma democracia saudável".
"O seu projeto político assenta numa visão securitária e iliberal da sociedade, marcada por um discurso xenófobo, pela normalização da exclusão. Trata-se de uma agenda que desconfia das instituições, que relativiza direitos fundamentais e que vê o Estado social não como um garante de coesão, mas como um obstáculo a uma lógica punitiva e desigual", escreveu José Eduardo Martins na rede social Facebook.
"Para quem é militante do PSD, faz todo o sentido votar num social-democrata moderado como António José Seguro. É o que vou fazer. Não por confusão partidária, mas por clareza democrática: quando estão em causa as instituições, o pluralismo e a estabilidade do regime, a responsabilidade deve prevalecer sobre o cálculo tático ou identitário", declarou.
José Eduardo Martins quis sublinhar que "aqueles que, à esquerda, passaram uma campanha inteira a desvalorizar o seu próprio candidato e que só assumiram posições à última da hora (desde logo, a maioria dos dirigentes do PS) não têm autoridade moral para definir o que é ou não a direita democrática, nem para comentar o endosso de voto dos outros".
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, o ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro e o historiador, comentador e antigo presidente da bancada do PSD José Pacheco Pereira já tinham anunciado na noite de domingo que votariam em Seguro na segunda volta, assim como líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, e o mandatário da candidatura de João Cotrim Figueiredo, José Miguel Júdice.
O primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, anunciou no domingo que o seu partido não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais.
"Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo", declarou aos jornalistas, na sede nacional do PSD, em Lisboa, depois de uma reunião da Comissão Permanente Nacional, o órgão partidário mais restrito de direção.
O chefe do Governo PSD/CDS-PP considerou que o espaço do seu partido "não estará representado" numa segunda volta entre António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, e André Ventura, presidente do Chega.
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16,%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, com 11%.
À esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) teve, 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, que ficou abaixo do cantor Manuel João Vieira que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.
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