No trilho de campanha, candidato presidencial apoiado pelo PCP defendeu o reforço do investimento no SNS.
O candidato presidencial António Filipe disse esta segunda-feira que os problemas da saúde são "gravíssimos" e não uma perceção, e defendeu que só se resolvem com vontade política e com reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"O primeiro-ministro terá declarado que não existe nenhum caos na saúde, o que há é uma perceção de caos na saúde. Bom, eu pergunto: se vemos pessoas a morrer por falta de assistência, por atrasos numa ambulância que não chega, isto é uma perceção ou é uma realidade? Essas pessoas terem morrido não é uma perceção", afirmou António Filipe durante um discurso com apoiantes em Campo Maior, Portalegre.
O primeiro-ministro, Luis Montenegro, defendeu esta segunda-feira que há uma "perceção de caos" no SNS, mas disse que "isso não é a realidade".
Na sua intervenção no Alentejo, o candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV exemplificou ainda com crianças a nascerem nas ambulâncias à procura de uma maternidade que esteja aberta, e com utentes que aguardam várias horas à espera numa urgência para serem atendidas.
"Há, de facto, uma situação gravíssima na saúde e que tem que ser resolvida", realçou.
António Filipe considerou que os pactos defendidos por outros adversários políticos não são solução.
"Nós já ouvimos falar não sei quantas vezes em pactos para a justiça e, agora, em pactos para a saúde. Mas o que é? É sentar à mesa com os hospitais privados que nós vamos criar um pacto para a saúde, ou é investir, como a Constituição manda, investir no SNS?".
E continuou: "Não precisamos de pactos, não precisamos de estar a negociar com o setor privado da saúde (...). Os problemas da saúde resolvem-se com vontade política de reforçar o SNS".
Porque o problema, acrescentou, não é da gripe nem da falta de ambulâncias, mas sim "da degradação a que tem vindo a ser submetido o SNS por falta de vontade política dos governos".
"A situação atual com este Governo é particularmente grave, particularmente crítica, como nós estamos todos a assistir e isso não é uma perceção".
Neste discurso em Campo Maior, António Filipe voltou a falar do pacote laboral e considerou que a ministra do Trabalho "teve o desplante de, há uns tempos atrás, dizer que a legislação laboral tem uma balança desequilibrada a favor dos trabalhadores".
"Eu acho que é preciso ter um descaramento enorme para dizer uma coisa destas (...). Costumamos dizer que há mil maneiras de fazer bacalhau, e no Código de Trabalho que já está em vigor, há mil maneiras de garantir a precariedade, de obrigar os trabalhadores à precariedade, desde contratos ao dia, à semana, ao mês, enfim, todo o tipo de precariedade possível e imaginária", realçou.
Por fim, António Filipe considerou ainda que o "boletim de voto para as eleições presidenciais não é o boletim do Totobola".
"No boletim do Totobola, olhamos para aquilo e vemos assim quem é que eu acho que vai ganhar? (...) O boletim de voto é para nós escolhermos quem é que nós queremos verdadeiramente como Presidente da República", frisou.
Para o ex-deputado comunista, "quando o eleitor exprime o seu direito de voto, não está a fazer um palpite, está a fazer uma escolha".
"Quem é que nós achamos que deve ser Presidente da República diante dos vários candidatos que se apresentam? E para isso é importante saber o que é que cada um defende, o que é que cada um quer", realçou.
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