Rui Tavares voltou a falar da revisão constitucional, desta vez para atacar os também concorrentes a Belém André Ventura e João Cotrim Figueiredo.
O porta-voz do Livre Rui Tavares disse este domingo que André Ventura quer "destruir a democracia política" e que João Cotrim Figueiredo pretende acabar com a "democracia social", acusando-os de concorrerem a Belém para serem "cavalos de Tróia".
Num discurso num comício, em Coimbra, que encerrou o oitavo dia de campanha presidencial de Jorge Pinto, Rui Tavares voltou a falar da revisão constitucional, desta vez para atacar os também concorrentes a Belém André Ventura e João Cotrim Figueiredo, imputando-lhes uma intenção de pôr em causa o regime democrático.
"Portugal nasceu como uma democracia política e uma democracia social. E se André Ventura é um candidato que nós sabemos e não temos o direito de o ignorar, porque vemos o que é que fazem os seus comparsas pelo mundo fora, os 'Trumps' e os 'Bolsonaros', um candidato que seria capaz de destruir a democracia política. João Cotrim Figueiredo tem intenções de fazer o mesmo com a democracia social", atirou.
Sobre o antigo líder da IL, Rui Tavares lembrou as suas propostas, quando era deputado, para a revisão da Constituição que incluam a retirada do direito à fruição e criação cultural em "nome de uma Constituição mais enxuta" e do direito à habitação em "plena crise de habitação".
"Se as coisas já estão como estão, quem é que acha que resolve qualquer problema retirando da Constituição a obrigação do Estado pensar, lembrar-se de ter o compromisso moral com ter rendas que as pessoas possam pagar", questionou.
Para Rui Tavares, Ventura e Cotrim são dois políticos que se "candidatam basicamente a franquear a porta e serem os cavalos de Tróia de uma alteração constitucional que acabaria com a democracia política, por um lado, e a democracia social" que estão na base do regime português.
Na mesma intervenção, perante uma sala com algumas dezenas de apoiantes, Rui Tavares abordou a questão da saúde no país para criticar o primeiro-ministro, Luís Montenegro, por recusar demitir a ministra da Saúde com o argumento de que a sua saída não resolveria os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"Eu acho que o primeiro-ministro esqueceu-se de dizer isso à ministra da Saúde quando ela começou a demitir toda a gente mal assumiu o cargo. Afinal, parece que há uns problemas que se resolvem com demissões. O que não se resolve é o problema de Luís Montenegro ter um pára-raios tão jeitoso no cargo daquela ministra da Saúde que o protege de todas as críticas", atirou.
Antes, interveio a também porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes para salientar que, tal como Marcelo Rebelo de Sousa alertou, "2026 será um ano singular", sendo parte dessa singularidade a realização de umas eleições em que "alguns dos candidatos não querem ser Presidentes da República", numa crítica a André Ventura.
"Diz que foi empurrado, que nem queria, ao mesmo tempo que diz que quer acabar com este regime", afirmou.
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