Texto é subscrito por 54 nomes, a grande maioria ligada à cultura.
Os músicos Salvador Sobral, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo são alguns dos subscritores de uma carta aberta "pela defesa de uma República decente" na qual apelam ao voto em António José Seguro nas presidenciais.
"Votar em António José Seguro não é votar num partido. Não é votar numa ideologia. É um gesto de responsabilidade cívica, um ato civilizacional. E isso depende de todos", lê-se na carta aberta divulgada hoje pela campanha de António José Seguro.
No texto, subscrito por 54 nomes, a grande maioria ligada à cultura, alerta-se que na segunda volta das presidenciais, que irá opor Seguro ao presidente do Chega, André Ventura, "não está em causa a vitória de um partido".
"Não está em causa a adesão a uma ideologia. Está em causa a decência democrática. Está em causa o tipo de país que aceitamos normalizar", lê-se no documento.
Na opinião destes subscritores, no dia 08 de fevereiro, "ao contrário de 1986" -- ano que opôs Mário Soares a Freitas do Amaral -- "o campo democrático estará representado por uma única candidatura", a de António José Seguro, que "preserva a normalidade institucional".
"Para os democratas, para os jovens que querem soluções para a sua vida e não guerras culturais intermináveis, para quem quer discutir política, ideias e projetos sem medo, só há uma opção", é acrescentado.
O texto continua, sustentando que no boletim de voto estarão duas ideias de país em confronto: "De um lado, a democracia constitucional: a defesa do Estado de Direito, das instituições, da liberdade de expressão, da liberdade de criação e fruição artística, do pluralismo e de uma vida pública fundada em factos, não em perceções fabricadas".
Do outro lado, lê-se na carta, a candidatura de André Ventura, que "representa uma proposta iliberal: uma rutura com a tradição portuguesa de moderação democrática, com a nossa pertença europeia e atlântica, e uma aproximação a modelos políticos onde a política do medo, do inimigo interno e da intimidação institucional deixa marcas duradouras".
"Nesta segunda volta, está em causa saber se Portugal quer um Presidente que seja árbitro e garante, ou se quer um líder partidário que, a partir de Belém, procure condicionar a vida política para favorecer a sua própria máquina e o seu próprio combate", acusam.
Entre a meia centena de subscritores incluem-se os músicos Pedro Abrunhosa, Agir, Ana Bacalhau, Pedro Mafama, Pedro Moutinho ou Tomás Wallenstein.
Também assinam a carta o ex-líder do CDS-PP Francisco Rodrigues dos Santos, a deputada do PS e secretária-geral da Juventude Socialista, Sofia Pereira, o presidente de Junta de Freguesia de São Vicente, André Biveti, ou o arquiteto e professor catedrático João Pedro Xavier.
No passado dia 18, André Ventura ficou em segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais, com 23,52% dos votos, atrás do socialista António José Seguro, que conquistou 31,12%.
A segunda volta das eleições presidenciais está agendada para dia 08 de fevereiro.
A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais inicia-se no dia seguinte à publicação do mapa oficial dos resultados ou, se até lá não for publicado, a 31 de janeiro.
O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.
Desde 1976, foram Presidentes António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016).
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