Após uma década longe das lides políticas, a corrida presidencial marcou o regresso de Seguro à estrada.
Contra a euforia com as sondagens e sem entrar "na lama" dos ataques aos adversários, António José Seguro focou a campanha no apelo à concentração dos votos para evitar o "poder absoluto" da direita, prometendo ser um "Presidente moderado".
Após uma década longe das lides políticas, a corrida presidencial marcou o regresso de Seguro à estrada, sem largar a sua proposta de um pacto para a saúde e pretendendo mostrar elevação no debate e distância daquilo que apelidou de "lama", alegando que o seu problema não é com os adversários, mas com as dificuldades dos portugueses.
Uma das mensagens centrais do candidato apoiado pelo PS no 'piscar de olho' ao eleitorado foi a necessidade de equilibrar o sistema político -- a ideia de não colocar os ovos todos no mesmo cesto - numa altura em que a direita é Governo e também maioritária no parlamento, autarquias e regiões autónomas.
Mas a campanha foi feita de outras tentativas de equilíbrio, desde logo entre a "natureza suprapartidária" da sua candidatura - que garantiu que se mantém - e o apoio do partido que liderou, que chegou meses depois de o candidato já estar na caminhada para tentar chegar a Belém.
Nos comícios, o palco foi para Seguro, mandatários e presidentes de câmara, mas nunca para o PS, à exceção de um discurso do líder socialista, José Luís Carneiro, num almoço a meio da campanha na Póvoa de Lanhoso, a maior mobilização até agora.
Nas ruas e noutras ações, as figuras do partido foram-se juntando e participando, de forma mais visível à medida que as sondagens e 'tracking polls' davam Seguro bem posicionado para seguir até a segunda volta.
Se as sondagens serviram para entusiasmar as hostes, o ex-líder do PS foi sempre arrefecendo a euforia e avisando que os estudos de opinião não ganham eleições, mas sim os votos.
Consciente dos riscos da dispersão de votos, Seguro nunca apelou diretamente à desistência dos candidatos apoiados por PCP, Livre e BE e preferiu dirigir-se aos eleitores de esquerda e centro-esquerda -- sem esquecer o centro e centro-direita -, pedindo a concentração de votos na sua candidatura por ser, segundo diz, a única com condições naquela área política para passar à segunda volta.
Sem nunca dizer o nome de André Ventura, o socialista posicionou-se no combate contra "os extremismos e os radicalismos" e, à medida que as sondagens apontavam uma "corrida a dois" com o presidente do Chega, foi subindo de tom o discurso sobre os riscos para a democracia.
Quando a sondagem da Católica o colocou em segundo, colado a Ventura, Seguro subiu a fasquia e apontou ao primeiro lugar já no domingo e, no discurso de púlpito da noite, rejeitou que a segurança seja um tema exclusivo da direita, visitando na manhã seguinte uma esquadra da PSP, paragem que não estava na agenda.
Posicionando-se como um "defensor leal da Constituição", ao contrário de outros opositores à direita, para Seguro os problemas que encontra no país resultam do texto fundamental não ser cumprido, recusando assim uma revisão constitucional.
Na terra das raízes familiares de Marcelo Rebelo de Sousa, Celorico de Basto, disse que o próximo chefe de Estado "não pode ser um cata-vento", mas sim coerente, uma das características do perfil de Presidente que quer ser: exigente porque as reuniões com o Governo não são para "tomar chá", moderado porém capaz de dar "murros na mesa", e "dos novos tempos" para evitar o regresso do "velho mundo".
Prometendo não ser um "primeiro-ministro sombra em Belém" e evitando críticas diretas a Montenegro apesar de discordar do diagnóstico na saúde, mais do que uma vez pediu "uma oportunidade" para se mostrar ao serviço, insistindo que tem experiência, está preparado e não vai "aprender no cargo".
Anunciando-se como uma "força tranquila", na rua, contou com receções favoráveis, apostou numa campanha de contornos tradicionais e de proximidade, não tendo pejo em ir ao encontro das pessoas e conversar com elas, sem olhar para o relógio, contrariando a pressa do seu núcleo duro.
A agenda diária foi intensa, com ações de manhã à noite praticamente sem paragens, passando por todos os distritos, e contou com a 'máquina' do PS a ajudar na organização e a presença de um corpo de agentes de segurança a acompanhar a comitiva de forma discreta.
Sem hino de campanha, mas com um coro jovem sempre atrás de si com cânticos ao estilo futebolístico, nos comícios os seus discursos eram sempre anunciados por uma trilha sonora diferente das dos restantes oradores e terminavam sempre com "A Portuguesa".
Seguro seguiu sempre a mesma estrutura de discurso perante as diferentes plateias pelo país, mantendo temas como a saúde, a igualdade de género, a reforma laboral, a Constituição, os jovens e a habitação, e os reiterados apelos ao voto, introduzindo a cada comício uma 'novidade' que marcava a tónica noticiosa do dia.
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