Kallas descarta que Bruxelas aprove hoje 20.º pacote de sanções à Rússia

Chefe da diplomacia da União Europeia diz que a questão será discutida, mas adianta que "não vai haver avanços nesta matéria hoje".

23 de fevereiro de 2026 às 07:49
Kaja Kallas Foto: Olivier Hoslet/Lusa
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A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, descartou que os ministros dos Negócios Estrangeiros consigam aprovar esta segunda-feira o 20.º pacote de sanções à Rússia, ao contrário do que estava previsto, por oposição da Hungria.

"Vamos discutir o 20.º pacote de sanções, mas, como todos sabem, não vai haver avanços nesta matéria hoje. Mas iremos certamente insistir nesta questão", afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas.

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A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referia-se ao pacote de sanções que tinha sido preparado para ser aprovado na reunião de segunda-feira, na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra na Ucrânia.

No entanto, este domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto anunciou que iria bloquear a adoção desse pacote, acusando a Ucrânia de impedir entregas de petróleo russo ao seu país através do oleoduto Druzhba.

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Kaja Kallas afirmou que a UE está a "fazer o seu melhor" para conseguir adotar este pacote de sanções, referindo que já falou com vários Estados-membros que prometeram falar sobre este assunto na reunião de hoje e tentar "convencer os países que estão a bloquear".

"Mas ouvimos declarações muito fortes da Hungria, por isso não estou a vê-los a mudar de posição. Infelizmente, é a posição que eles têm", disse.

Questionada sobre que tipo de compromissos é que a UE está a disposta a fazer para conseguir convencer a Hungria a mudar de postura, Kaja Kallas observou que a justificação de Budapeste para o bloqueio -- ligada ao oleoduto Druzhba -- "não tem nada a ver com o 20.º pacote de sanções".

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"Por isso, acho que não devíamos relacionar coisas que não têm nada a ver umas com as outras. Mas vamos ouvir as explicações deles, os motivos que apresentam para o bloqueio, e depois vamos ver quais são as possibilidades que temos para os ultrapassar", referiu.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se esta segunda-feira para decidir se impõem um novo pacote de sanções à Rússia e se avançam com medidas contra Israel devido à expansão de colonatos na Cisjordânia.

O início deste Conselho de Negócios Estrangeiros está marcado para as 9h45 (8h45 de Lisboa) e terá apenas dois temas em cima da mesa: a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente, em particular no Irão, Síria, Israel e Palestina.

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No que se refere à Ucrânia, os ministros reúnem-se na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra, e previa-se que decidissem impor o 20.º pacote de sanções à Rússia, antes da a Hungria manifestar a sua oposição.

A proposta inicial de sanções tinha sido apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 06 de fevereiro e incluía restrições a nível financeiro e comercial, mas também a proibição total de serviços marítimos para o petróleo bruto -- um ponto contencioso para países como a Grécia ou Malta, com fortes indústrias marítimas.

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