Petróleo russo vai voltar a oleoduto que impedia empréstimo da União Europeia
Operações serão retomadas "dentro de algumas horas".
O oleoduto Druzhba, que fornece petróleo russo à Hungria e à Eslováquia, vai voltar a funcionar, esta quarta-feira, anunciou um alto funcionário ucraniano, no que pode significar o fim de um diferendo entre Kiev e Budapeste.
As operações serão retomadas "dentro de algumas horas", disse a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP), na condição de não ser identificada.
A Ucrânia recebeu o pedido da gigante petrolífera e de gás húngara MOL para o trânsito de petróleo para a Eslováquia e a Hungria, acrescentou.
A retoma das operações deste oleoduto deverá pôr fim a um longo impasse com Budapeste e permitir, em troca, o desbloqueio de um empréstimo da União Europeia (UE) à Ucrânia de 90 mil milhões de euros, crucial para Kiev.
O Druzhba estava fora de serviço desde que um troço situado no oeste da Ucrânia foi danificado por um ataque russo em janeiro.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, derrotado nas legislativas de 12 de abril, acusava Kiev de demorar na reparação e bloqueava, em retaliação, o empréstimo europeu para a Ucrânia.
A Eslováquia, fortemente dependente do petróleo russo, ameaçava impedir a adoção do próximo pacote de sanções contra a Rússia, devido à invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
"Cumprimos todos os nossos compromissos" ao reparar esta infraestrutura, afirmou aos jornalistas, incluindo a AFP, o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, que falou na terça-feira e cujas declarações estiveram sob embargo até esta quarta-feira.
"Acredito que o principal obstáculo criado artificialmente [ao empréstimo da UE], o obstáculo húngaro, foi removido. Agora, temos de avançar juntos para que a Ucrânia possa receber o empréstimo", acrescentou.
A UE espera conseguir o desbloqueio da ajuda para Kiev, esta quarta-feira, durante uma reunião de embaixadores dos Estados-membros em Bruxelas, graças ao levantamento esperado do veto húngaro.
A ajuda europeia deverá permitir à Ucrânia financiar a sua defesa contra o exército russo e assegurar as despesas do Estado no período 2026-2027.
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