Oleoduto transporta petróleo russo para a Hungria. Infraestrutura ficou danificada por um ataque de Moscovo.
A Ucrânia concluiu a reparação do oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para a Hungria, e a infraestrutura, danificada por um ataque de Moscovo, pode agora retomar as operações, anunciou esta terça-feira o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
"A Ucrânia realizou os trabalhos de reparação no troço do oleoduto Druzhba danificado pelo ataque russo. O oleoduto pode retomar o funcionamento", indicou Zelensky na rede social Telegram, acrescentando esperar que Budapeste desbloqueie, em resposta, uma ajuda europeia de 90 mil milhões de euros destinada a Kiev, bem como apoie as negociações sobre a adesão do país à União Europeia (UE).
"Ligamos a isto o desbloqueamento do pacote de apoio europeu à Ucrânia" e "esperamos que os nossos parceiros provem igualmente as medidas adequadas relativamente" à abertura de vários capítulos das negociações de adesão, precisou.
Em declarações anteriores ao anúncio de Zelensky, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse esperar "decisões positivas" sobre o desbloqueio deste empréstimo de 90 mil milhões de euros, após a derrota eleitoral, no passado dia 12 de abril, do primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista pró-russo Viktor Orbán, que se opunha à medida.
Viktor Orbán foi derrotado pelo conservador pró-europeu Péter Magyar, que apelou, na segunda-feira, a Zelensky para reabrir o oleoduto após a sua reparação.
A UE espera alcançar o desbloqueamento do empréstimo a Kiev já na quarta-feira, por ocasião de uma reunião, em Bruxelas, dos embaixadores dos 27 Estados-membros, graças ao levantamento do veto húngaro.
A reparação deste oleoduto, atingido em janeiro por um ataque de Moscovo, esteve no centro de um braço-de-ferro nos últimos meses entre a Ucrânia e a Hungria.
Orbán fez deste tema uma questão central da sua campanha eleitoral, enquanto a Ucrânia, que luta há mais de quatro anos contra a invasão em larga escala da Rússia, vê neste oleoduto um instrumento que alimenta as receitas financeiras de Moscovo.
Em março, Bruxelas colocou em cima da mesa uma missão de inspeção ao oleoduto Druzhba para tentar atenuar as tensões entre Kiev e Budapeste. Zelensky denunciou então uma "chantagem" europeia em relação a Kiev.
O empréstimo europeu deverá permitir à Ucrânia financiar a defesa contra a invasão russa e assegurar as despesas do Estado no período de 2026-2027.
Após o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a União Europeia impôs uma proibição à maioria das importações de petróleo provenientes da Rússia.
Contudo, o oleoduto Druzhba ("amizade", em russo) foi temporariamente isento, para permitir aos países da Europa Central tempo para encontrar alternativas.
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