Rússia intensifica censura à imprensa durante a guerra
Putin aprovou lei que pune até 15 anos de prisão quem divulgar o que considera “informações falsas” sobre invasão da Ucrânia.
Entrou este sábado em vigor uma nova legislação na Rússia que vem intensificar a censura aos cidadãos e aos órgãos de comunicação social. Quem se referir à invasão russa na Ucrânia como "guerra" ou fizer um apelo às sanções incorre numa pena que poderá ir até aos 15 anos de prisão.
De acordo com Vladimir Putin, o decreto serve para combater "notícias falsas" sobre aquilo que apelida de "operação especial militar". Vyacheslav Volodin, porta-voz da Câmara Baixa do Parlamento russo, acrescenta que a medida "vai forçar aqueles que mentem e fazem declarações que geram descrédito das nossas Forças Armadas a sofrer punições severas. Estamos a fazer isto pelos nossos soldados e oficiais e para proteger a verdade".
Com a aprovação na nova lei, inúmeras organizações internacionais de imprensa suspenderam as suas ações na Rússia, como a CNN, a CBC, a Canadian Broadcasting Corp, a RAI, ou a Bloomberg News. "A mudança no código penal, que parece destinada a transformar qualquer repórter independente num criminoso puramente por associação, torna impossível qualquer exercício normal do jornalismo no país", referiu o editor-chefe desta última organização.
Para evitar sanções, o jornal independente russo ‘Novaïa Gazeta’, anunciou a remoção de conteúdos sobre a Ucrânia. Já a TV Rain anunciou que a sua transmissão seria suspensa.
Entretanto, o Kremlin também bloqueou o acesso ao Facebook e ao Twitter.
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