Drones ucranianos atingiram fábrica russa que produz mísseis Iskander, usados para atacar o sistema energético do país.
O ataque já confirmado, pelas Forças Armadas da Ucrânia, contra uma importante fábrica de armamento, nomeadamente mísseis, na zona de Votkinsk, no Interior da Rússia, e o anúncio da reconquista de território pelos ucranianos às forças de Moscovo estão a fazer aumentar o receio de uma ofensiva ordenada por Vladimir Putin para os próximos dias. O Exército ucraniano revelou que o ataque contra a unidade fabril localizada na república da Udmúrtia, a cerca de dois mil quilómetros de Kiev, foi realizado durante a madrugada por mísseis de cruzeiro Flamingo, de longo alcance.
As autoridades militares ucranianas suspeitam que a fábrica atingida fosse responsável pela produção de mísseis balísticos de curto alcance Iskander, um dos mais usados nos ataques contra infraestruturas energéticas na Ucrânia, mas também alguns balísticos intercontinentais, com capacidade de carregar ogivas nucleares até aos EUA. Fonte oficial regional russa confirmou o ataque de forma lacónica, referindo apenas a existência de uma “ofensiva com drone que causou danos e vítimas”. A imprensa independente russa confirma a existência de 11 feridos sem pormenorizar o estado nem a extensão dos danos materiais.
Este ataque aparentemente cirúrgico é a resposta de Kiev às sistemáticas ofensivas russas contra infraestruturas energéticas que estão a deixar as cidades às escuras e os ucranianos ao frio. No sábado foi anunciado que a capital ucraniana deverá receber apenas entre quatro e seis horas de energia elétrica por dia no que ainda resta no mês de fevereiro e a situação em março não deverá sofrer melhorias significativas dado o grau de destruição de várias centrais elétricas e subestações de alta tensão.
O ataque de Kiev em Votkinsk acontece no dia em que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que as suas forças teriam “libertado” 300 quilómetros quadrados de território tomado pelo Exército russo. Numa entrevista à agência noticiosa francesa AFP, Zelensky garantiu que está a decorrer uma contraofensiva ucraniana no Sul do país e que, por isso, “não dá para dizer que estamos a perder a guerra”, referiu o Presidente do país atacado pela Rússia faz quatro anos na próxima terça-feira. Na mesma conversa com a AFP, Volodymyr Zelensky foi pragmático ao referir que “a questão é se vamos vencer [esta guerra]”. As palavras de Zelensky foram proferidas numa altura em que o Presidente dos EUA continua a pressionar a Ucrânia para ceder território aos russos, pretensão que Kiev não parece ter vontade de satisfazer.
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