Presidente do Conselho Europeu apela à Hungria que respeite o acordo comunitário.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, falou esta terça-feira com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, para apelar que Budapeste respeite o acordo comunitário e possibilite a adoção de um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
Nas vésperas de uma cimeira europeia, agendada para quinta-feira, na qual os líderes da União Europeia (UE) vão tentar desbloquear um crédito de 90 mil milhões de euros (assente em dívida comum) para apoiar a economia e a reconstrução da Ucrânia, António Costa e Viktor Orbán "falaram esta manhã por telefone e tiveram uma longa conversa", indicaram fontes comunitárias.
"Espera-se que [o chefe de governo húngaro] respeite os compromissos assumidos no Conselho Europeu e que esta decisão relativa aos 90 mil milhões seja concretizada", especificou uma dessas fontes, assinalando que foi essa a "mensagem clara" transmitida por Costa na chamada telefónica.
Hoje mesmo, foi anunciado que a UE mobilizou apoio financeiro e especialistas para reparar o oleoduto Druzhba, danificado pela Rússia, o que foi aceite pela Ucrânia.
De acordo com as fontes europeias, que fizeram uma antevisão da cimeira europeia, Kiev comprometeu-se a "realizar as reparações necessárias no oleoduto para o colocar novamente em funcionamento", existindo "um prazo definido" para os trabalhos, que não foi especificado.
Este pode ser um debate difícil na cimeira europeia de quinta-feira, que se pode alargar até sexta-feira, mas a expectativa de Costa é que Orbán ceda.
As relações entre a Hungria e a Ucrânia estão a ser marcadas por uma forte tensão diplomática devido a questões energéticas e políticas com foco no oleoduto Druzhba, que transporta (de forma excecional) petróleo russo através do território ucraniano para a Hungria e a Eslováquia e que foi danificado por um ataque russo no final de janeiro deste ano.
Enquanto Kiev afirma que a infraestrutura precisa de tempo para ser reparada devido à insegurança no terreno, Budapeste acusa a Ucrânia de atrasar deliberadamente a reabertura do oleoduto por motivos políticos.
Devido a esta disputa, o Governo húngaro, liderado pelo ultranacionalista Viktor Orbán, tem usado o veto em instâncias de decisão da UE como uma forma de pressão, nomeadamente ao bloquear o empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia como parte do apoio financeiro à resistência ucraniana contra a invasão russa, condicionando a sua adoção à retomada do fluxo de petróleo através do Druzhba.
Numa entrevista à Lusa e a outras agências de notícias no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom), publicada esta terça-feira, António Costa disse "estar otimista" que a Hungria possibilite a adoção deste empréstimo comunitário.
"Como sabem, sou otimista. Acredito que a Hungria se respeitará a si mesma, os colegas [Estados-membros] e os tratados" da UE, afirmou.
"No que diz respeito ao primeiro-ministro [húngaro, Viktor] Orbán, não preciso de o convencer a aceitar o que ele já aceitou no passado dia 18 de dezembro. Uma decisão tomada pelo Conselho Europeu é uma decisão tomada e todos os Estados-membros têm de a respeitar", lembrou António Costa, numa alusão ao aval político já dado ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para fazer face às necessidades financeiras da Ucrânia.
De acordo com estimativas recentes, a Ucrânia só tem fundos suficientes para cobrir as suas despesas públicas apenas até ao início de maio.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados europeus desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
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