Destaca também como "grande reivindicação" ao próximo Governo o cumprimento dos acordos de médio prazo e plurianual para a administração pública.
A UGT defende uma "reflexão muito profunda" sobre o "descontentamento generalizado" na base da "subida exponencial" do Chega, destacando como "grande reivindicação" ao próximo Governo o cumprimento dos acordos de médio prazo e plurianual para a administração pública.
"A notícia deste resultado [das eleições legislativas de domingo] é, de facto, a subida exponencial de um partido de direita mais radical, neste caso do Chega, e isso demonstra que há um descontentamento que é generalizado, porque nem todos os cidadãos que votaram neste partido se identificarão com alguma da ideologia desse mesmo partido", afirmou o secretário-geral adjunto da União Geral de Trabalhadores (UGT) em declarações, esta segunda-feira, à agência Lusa.
Neste sentido, Sérgio Monte defende que "há que fazer uma reflexão muito profunda, de todos os partidos democráticos de centro, centro-direita e centro-esquerda, sobre porque é que há esse descontentamento e onde é que se falhou".
Relativamente ao novo Governo que sairá destas eleições -- a constituir, "tudo indica", pela AD [Aliança Democrática], que fará "as negociações que tiver a fazer" -- a UGT destaca que "o importante é o programa que vier a ser apresentado".
"Nós conhecemos o programa dos partidos que foram apresentados na fase da campanha eleitoral, mas, enfim, sabemos que aí há um leilão de promessas e há muitas coisas que são pouco exequíveis. Mas agora sim, o programa do Governo é, para nós, um instrumento importante a que iremos dar bastante atenção", garantiu o secretário-geral adjunto.
A este propósito, Sérgio Monte destacou como "a grande reivindicação" da central sindical "exigir ao próximo Governo o cumprimento do Acordo de Médio Prazo [de Melhoria dos Rendimentos, dos Salários e da Competitividade] e do Acordo Plurianual [de Valorização dos Trabalhadores] da Administração Pública".
"Para nós é legítimo reivindicar o cumprimento do acordo, porque foi assinado com o Governo, Governo esse que representa o Estado, e, como pessoa de bem, qualquer Governo que represente o Estado deverá assegurar o seu cumprimento do acordo", sustentou.
"Eventualmente, até proporemos que ele seja prorrogado, ou que seja melhorado, como foi já para este ano de 2024", acrescentou. Igualmente importante para a central sindical é qie no próximo Governo "haja uma centralidade da Concertação Social", porque "os países mais desenvolvidos da Europa são aqueles que têm uma forte tradição e cultura de diálogo social".
Defensora "da estabilidade", mas lembrando que "até com maiorias absolutas a estabilidade está em cheque, como já se viu", a UGT considera que o futuro do próximo Governo "dependerá, agora, dos consensos e das negociações que se fizerem".
"Obviamente que ficará um Governo de minoria, se forem cumpridas as promessas que foram feitas na campanha, mas a tradição em Portugal nestes 50 anos de democracia também é de governos de minoria, a exceção foram os de maioria", notou Sérgio Monte.
O secretário-geral adjunto da UGT prevê, contudo, que com o novo "espetro político" em Portugal "poderá haver alguma agitação", admitindo que "o Chega, se ficar fora de qualquer solução governativa, eventualmente procurará provocar eleições, para ver se consegue ser a primeira força política".
"Acredito naquilo que foi prometido e que essa hipótese não se ponha", disse, acrescentando: "Era bom que os dois maiores partidos se entendessem. Já houve um partido, neste caso o PS, a dizer que não viabilizará uma moção de censura".
A AD - Aliança Democrática (coligação PSD/CDS/PPM) venceu as eleições legislativas de domingo, com 29,49% dos votos e 79 deputados, contra os com 28,66% e 77 deputados alcançados pelo PS, quando ainda falta atribuir os quatro mandatos do círculo da emigração.
O Chega quadruplicou o número de deputados para 48, com 18,06% dos votos.
A IL conquistou oito deputados (5,08%), o BE manteve os cinco deputados (4,46%), a CDU diminuiu o número de deputados para quatro (3,3%).
O Livre vai formar pela primeira vez grupo parlamentar, tendo conseguido alcançar quatro deputados (3,26%), enquanto o PAN mantém-se com um deputado (1,93%).
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