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Colômbia e República Democrática do Congo prometem dificultar a tarefa da seleção portuguesa.
A seleção portuguesa é favorita a conquistar o Grupo K do Mundial2026 de futebol, prova em que se apresenta como assumido candidato a vencer, mas Colômbia e República Democrática do Congo prometem dificultar a tarefa.
O Mundial2026, o primeiro de sempre com 48 seleções, vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
Eis os adversários da seleção portuguesa:
Colômbia está de volta e pode dificultar vida a Portugal
A seleção colombiana, liderada pelo argentino Néstor Lorenzo, prepara-se para viver a sétima presença no Campeonato do Mundo e sonha igualar ou até melhorar a sua melhor campanha de sempre, que foi no Brasil, em 2014, quando ficou no quinto lugar.
Após ter vivido uma pequena 'crise', que levou à ausência no Mundial2022, do Qatar, a Colômbia está de regresso à mais importante prova de seleções e deixou uma excelente imagem na fase sul-americana de apuramento, em que terminou na terceira posição, com 28 pontos, só atrás de Argentina, primeiro, e Equador, segundo.
Os 'cafeteros' arrancaram mesmo em força a campanha para o Mundial2026, registando uma série de oito jogos seguidos sem derrotas (quatro vitórias e quatro empates), incluindo triunfos caseiros sobre Argentina (2-1) e Brasil (2-1).
Os colombianos foram mesmo a única equipa que terminou a campanha sem derrotas perante os atuais campeões do mundo (1-1 em solo argentino).
O extremo Luis Díaz, com sete golos, foi o melhor marcador da Colômbia durante a fase de apuramento, com James Rodríguez, que continua a dar 'cartas' aos 34 anos, também em destaque. Os dois antigos jogadores do FC Porto estiveram em 17 dos 28 golos da equipa.
Já na parte final da qualificação, Luis Suárez, jogador do Sporting e melhor marcador do campeonato português, apareceu em cena e mostrou ser sério candidato a 'herdeiro' de Radamel Falcao no ataque, assinando um 'poker' na última ronda, na Venezuela (6-3).
A poucos dias do arranque do Mundial2026, na memória dos colombianos está o que aconteceu em 2014, numa prova que elevou James Rodríguez a 'herói nacional' e em que os 'cafeteros' só caíram perante o Brasil (2-1), nos quartos de final, numa partida à qual chegaram totalmente vitoriosos na prova.
Rodríguez acabou a competição como inesperado melhor marcador, com seis golos, e também fez o melhor tento da prova, nos oitavos de final, frente ao Uruguai (2-0).
Mas, nem tudo são boas memórias para os sul-americanos, que viveram um episódio trágico em 1994, precisamente nos Estados Unidos, que acabou por custar a vida ao defesa central Andrés Escobar.
O Colômbia chegou a esse Campeonato do Mundo com aspirações bem altas, mas despediu-se dos 'States' no último lugar do Grupo A, ficando fora da fase a eliminar.
Na derrota com os Estados Unidos (2-1), na segunda jornada, Andrés Escobar acabou por fazer um autogolo, episódio que acabou por lhe custar a vida.
Dias depois, já de regresso a Medellín, o defesa acabou por ser assassinado na rua, numa altura em que o país estava praticamente em 'guerra civil' devido aos cartéis da droga.
Uzbequistão, o adversário quase desconhecido vindo da Ásia central
O Uzbequistão apurou-se pela primeira vez para um Campeonato do Mundo com uma campanha em que apenas sofreu uma derrota em 16 jogos, registou a melhor defesa no seu grupo e fez frente ao 'poderoso' Irão.
No Mundial2026, a seleção uzbeque, apelidada de 'lobos brancos', vai tornar-se apenas na terceira republica da antiga União Soviética a competir na maior prova de seleções, sucedendo à Rússia e à Ucrânia, e na primeira nação da Ásia central a alcançar tal feito.
Com a queda do regime soviético, o Cazaquistão passou a competir nas provas da FIFA desde 1994 e esteve muito perto do apuramento em 2006 e 2014, algo que finalmente assegurou agora em 2026, onde vai defrontar Portugal no Grupo K, sob o comando do italiano Fabio Cannavaro, 'Bola de Ouro' em 2006.
Contudo, o antigo central italiano e campeão mundial como jogador em 2006 só pegou na equipa após o apuramento, sucedendo com surpresa a Timur Kapadze, que foi despromovido inicialmente a adjunto, apesar da excelente campanha da qualificação, acabando mesmo por se demitir mais tarde.
O Uzbequistão apenas perdeu uma partida, no Qatar (3-2), já na segunda ronda da qualificação, que terminou com apenas sete golos sofridos em 10 jogos, e sem derrotas perante o Irão, uma das seleções mais fortes do continente asiático.
Na primeira ronda, no Grupo E, o Uzbequistão venceu Turquemenistão e Hong Kong e terminou o agrupamento no segundo lugar, em igualdade com o Irão, apenas com desvantagem na diferença de golos.
Na ronda principal, a seleção uzbeque surpreendeu tudo e todos com o segundo lugar do Grupo A e apuramento direto para o Mundial2026, ficando à frente dos mais favoritos Emirados Árabes Unidos e Qatar, acabando por falhar o primeiro posto, que foi para o Irão, por apenas dois pontos.
A festa inédita aconteceu em 05 de junho de 2025, em Abu Dhabi, com um 0-0 perante os Emirados Árabes Unidos.
Entre as principais figuras do Uzbequistão estão o defesa Abdukodir Khusanov, central de 22 anos que já leva duas temporadas no Manchester City e Eldor Shomurodov, o goleador de 30 anos que está agora na Turquia (foi o segundo melhor do campeonato com o Basaksehir), mas que passou muitos anos em Itália, na Roma, Cagliari e Génova.
RD Congo de regresso e a tentar apagar desastre de 1974
A República Democrática do Congo foi a última seleção a garantir o passaporte para o Mundial2026 de futebol, em que vai defrontar Portugal, depois de 52 anos de ausência da prova e com má memória da última participação.
A seleção agora comandada pelo francês Sébastien Desabre precisou de três fases e 13 jogos para assegurar o seu primeiro Campeonato do Mundo desde 1974 e marcou duelo com Portugal logo na estreia no Grupo K, depois de ter deixado pelo caminho equipas como a Nigéria e Camarões e de ter apresentado uma grande resistência defensiva.
No caminho para o Mundial2026, a República Democrática do Congo ficou com a baliza a zero em oito dos 13 jogos, e sofreu apenas sete golos, com o apuramento a ficar carimbado em 31 de março deste ano, em Zapopan, no México, na final do 'play-off' intercontinental.
Perante a Jamaica, os africanos venceram por 1-0 no prolongamento, com um golo de Axel Tuanzebe, um das principais figuras da equipa, e fez a festa do apuramento, que não acontecia há mais de meio século.
A campanha dos 'leopardos' começou no Grupo B da fase de apuramento africano e só não garantiu logo a qualificação por causa de uma derrota caseira com o Senegal (3-2), já na fase decisiva do agrupamento, numa partida em que a República Democrática do Congo desperdiçou uma vantagem de dois golos.
Por ser um dos melhores segundos classificados, a equipa de Sébastien Desabre teve acesso ao 'play-off', mas apareceu fora do lote de favoritos, em que estavam Camarões e Nigéria, acabando por superar os dois 'tubarões' africanos.
Nas meias-finais, a República Democrática do Congo bateu os Camarões, por 1-0, e, na final, venceu a Nigéria no desempate por penáltis (4-3), após uma igualdade (1-1).
Os nigerianos ainda tentaram na 'secretaria' inverter a situação, alegando a utilização irregular de um jogador, mas a queixa acabou por não ter efeito.
Além de Axel Tuanzebe, nomes como Aaron Wan-Bissaka, Cedric Bakambu e do capitão Chancel Mbemba, antigo central do FC Porto, aparecem em destaque na equipa do segundo maior país africano, assim como Simon Banza, que passou por Sporting de Braga e Famalicão.
Em 1974, ainda como Zaire, a campanha dos africanos foi desastrosa, com três derrotas, 14 golos sofridos e nenhum marcado, o que levou as ameaças aos jogadores por parte do regime ditatorial que existia no país.
Após o 9-0 perante a antiga Jugoslávia, os jogadores foram informados que seriam impedidos de regressar a casa e a suas famílias poderia sofrer represálias, caso perdessem na última jornada do Grupo 2 com o Brasil por mais de três golos.
Isso levou a um ato de desespero por parte do defesa Mwepu Ilunga, que saiu da barreira defensiva para chutar a bola para longe, enquanto o Brasil se preparava para marcar um livre, quando o jogo estava já perto do fim e com 3-0 para a seleção 'canarinha'.
Com esta ação, o lateral tentou gastar tempo para que o árbitro apitasse para o fim da partida. O jogo acabou por ficar nos 3-0.
Eventualmente, os jogadores acabaram por ser autorizados a regressar ao Zaire, mas não receberam qualquer salário ou prémio de participação e o governo local cortou mesmo o financiamento à seleção.
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