CR7 foi o jogador escolhido para fazer este domingo, juntamente com Roberto Martínez, a antevisão ao Portugal-Espanha.
'Vai ser o meu último Mundial. Oxalá que amanhã não seja o último jogo': CR7 desfaz dúvidas antes do duelo com Espanha
Cristiano Ronaldo foi o jogador escolhido para fazer este domingo, juntamente com Roberto Martínez, a antevisão ao Portugal-Espanha, dos oitavos-de-final do Mundial'2026, que está agendado para amanhã, segunda-feira, a partir das 20h00.
Como tem vivido este Mundial e como está a equipa? Vocês estão, de facto, com a ideia de que podemos mesmo chegar longe?
"Se não tivéssemos essa ideia não estávamos aqui. Tem sido uma experiência bonita. Estamos a melhorar. Sabemos que é uma competição onde é impossível jogar bem em todos os jogos e não está fácil para ninguém, é só ver quem já foi eliminado. Vejo a equipa tranquila, treinamos bem, preparámos bem. Amanhã vamos encarar uma equipa super difícil, mas vamos estar preparados".
Pode ser o seu último Mundial... Como vê a possibilidade de ser substituído durante o jogo?
"Tem sido assim desde que cheguei à Seleção com 18 anos e não vai mudar [a influência]. Estou sempre de corpo e alma. Jogando ou não, terei sempre um papel importante. Terminarei, como disse há uns anos, quando eu quiser. Não quando vocês quiserem. Acho que é uma perda de tempo fazerem sempre a mesma pergunta. Não quero virar as atenções para isso, o mais importante é jogarmos bem amanhã e ter fé que vamos passar".
Ambiente que tem encontrado na Seleção ao longo dos anos... Pulseira que têm utilizado, que significado tem? No último jogo apontou para o céu com a camisola de Diogo Jota...
"É um grupo diferente de todos. Com muita qualidade como todos os outros. Muito tranquilo, mais jovem. A idade se calhar é mais baixa. A pulseira, como já sabem e não é surpresa, colocámos desde o primeiro dia porque estão os nomes de todos os jogadores. E é uma forma de estarmos unidos pelo Diogo. Por nós, por Portugal, por todos os portugueses que estão no mundo. Tem sido uma experiência espetacular. Dá para refletir que o futebol vai mais além do que o dentro de campo. É alegria das pessoas, união, pessoas a chorarem por verem jogadores... Isso é que fica guardado. De todos os Mundiais que joguei, será aquele que mais recordarei pela paixão das pessoas. Não sei a razão, mas tem sido, nesse aspeto emocional, o melhor. Tenho desfrutado bastante nesse aspeto".
O Cristiano é uma das pessoas mais famosas do planeta e está habituado a isso. Mas hoje, quando se deitar, ainda pode vir a ideia daquele menino que saiu do Funchal? Ou o peso da responsabilidade?
"O sentimento é quase sempre o mesmo, uma paixão grande pelo teu país, por tentar ganhar. É sempre como se fosse o primeiro jogo. E é desfrutar ao máximo. Este Mundial tem ficado muito marcado pela paixão das pessoas, não só a nossa. Hoje de manhã vimos malta da Venezuela, da Colômbia, e eles contaram histórias. Vê-los com lágrimas nos olhos, emocionados a olhar para ti... Isso é o que fica da vida. O resto... Ok, estamos cá, mas só vai ganhar um. É vivenciar isto, é o que fica marcado. À parte das exibições dos golos. 'Ah, tem 41 anos, não devia jogar'. Isso é irrelevante. O que vou levar para casa é o afeto das pessoas com a Seleção e comigo".
Qual a sua mensagem para todos os portugueses? Como lida com o facto da sua titularidade estar sempre a ser questionada?
"Há 23 anos que me tentam matar... Mas já perceberam que não vale a pena, é perda de tempo. Tentam, tentam, tentam. Mas não vale a pena. Há uns que gostam mais, outros menos. Estou habituado, faz parte. Mensagem? Esses são fiéis, não falham. Estão sempre do nosso lado, do meu lado. Tudo o resto é lixo, não conta para nada"
Chegou aqui sem a pressão de conquistar o título que lhe falta e com a mentalidade de ser a altura de desfrutar?
"Não me falta nada da vida. Deus foi muito generoso comigo e deu-me tudo o que nunca esperei ganhar. Principalmente na Seleção e mesmo a nível pessoal. É desfrutar de cada momento. Não vou ser mais Cristiano por ganhar o Mundial nem menos por não ganhar. Claro que estamos aqui com esperança, mas sabemos que só um vai ganhar. É desfrutar, não pensar no amanhã. Foi algo que aprendi. Uma das coisas que a idade dá é maturidade, experiência, o relativizar e suavizar muitas coisas. Obviamente que não sou cego, tenho visto os ataques que fazem constantemente à minha pessoa. Mas isso não é novo. Até agradeço muitas vezes, é viver um capítulo diferente na minha vida. Aprendi isso depois dos 40. Espero viver mais 40 anos e estar preparado. De onde vêm as grandes críticas, é de onde crescemos mais. E agradeço-vos, porque cresço e apareço cada vez mais. Feliz, desfrutar o dia-a-dia. Um jogo com uma magnitude amanhã, contra uma equipa excelente que já ganhou a competição. É desfrutar o dia-a-dia".
Portugal-Espanha tem quase sempre golo do Cristiano... Amanhã vamos ver o Cristiano na sua melhor versão?
"Oxalá... Era bom sinal. Mas a minha função é fazer aquilo que o míster pede. Não jogo na Seleção como jogo no Al-Nassr, tenho mais liberdade. Temos de perceber que temos funções diferentes. Sou um jogador mais aproximado da área, com a missão de agarrar os centrais. Mas vocês sabem que se a bola chegar lá e houver oportunidade, vou metê-la lá dentro. Sabemos que o adversário é super difícil, mas estou com aquela fé de que vai correr bem".
Qual a coisa mais difícil de se jogar um Mundial aos 41 anos?
"É falar convosco [jornalistas], com alguns... Os que não gostam, principalmente. E tu és um deles, que eu sei. Fixo a cara das pessoas. Basta ver uma vez. Jogar com 41 anos tem sido uma boa experiência. Para chegar a este nível tens de abdicar de muitas coisas. E tudo o que tenho feito na minha carreira tem sido adaptar-me. Não sou o jogador que era, mas nada mudou. Continuo a fazer golos e espero fazer amanhã. Se não fizer, que outro companheiro faça e que possamos passar. Poder passar, jogar com uma grande equipa, e era bonito vencer amanhã".
O Cristiano nunca sentiu medo durante a carreira... Amanhã será diferente por poder ser o último Mundial?
"Estão com muita vontade que eu não regresse... Chegará o dia, sim. Vou ser sincero. Independentemente do que acontecer amanhã, sairá daqui o Cristiano com a consciência tranquila. Não a 100%, a 1000%. Dei tudo no futebol e na minha vida. Paixão, querer. Não foi por necessidade. Graças a Deus estou muito bem da vida. Mas é a paixão. Jogo na Seleção e nos clubes porque fico encantado por jogar futebol. Aconteça o que acontecer amanhã, estarei feliz. Não posso colocar pressão em mim mesmo, de 'tens de ganhar'. É o que Deus quiser. Desfrutar a cada dia, a cada jogo. Desfrutar do Mundial. E acredito que não estou assim tão mal. Fiz 3 golos. Há outros que fizeram mais porque estão muito bem. Mas eu não estou mal, acredito... A ver se amanhã marco".
Faz um ano da final da Liga das Nações. Amanhã estarão frente a frente dois favoritos para conquistar o Mundial. A Espanha ainda não sofreu golos... Análise à equipa...
"Vocês sabem que tenho um carinho muito especial por Espanha. Tenho casas, negócios, os meus amigos são espanhóis. A minha família é praticamente espanhola. A Espanha é sempre candidata a ganhar tudo. A Espanha, teoricamente, é favorita porque já ganhou e tem mais títulos do que Portugal. Mas há cansaço, lesões, os jogadores são diferentes, o calor... Que amanhã até vai estar bom, teremos ar condicionado. Encanta-me jogar frente à seleção espanhola. Joguei várias vezes e foi muito equilibrado. E amanhã será igual. Quem acertar nos detalhes, ganhará. Espero que seja Portugal. Eu tenho esse feeling. Mas amanhã veremos...".
Já joga frente à Espanha há 23 anos e defrontou muitas gerações. O que tem esta Seleção de diferente? O Lamine é o maior talento que já viu?
"Vejo sempre a Espanha com muito talento. Todas as gerações. Desde que cá estou, sempre vejo a Espanha como candidata a vencer tudo. Amanhã será uma batalha muito dura e temos de ter muita fé, correr e ter coragem. É a única maneira de vencer".
Lamine Yamal...
"É um jogador com muito futuro. Sinceramente não vi nenhum jogo da Espanha até agora, apenas um bocadinho do primeiro frente a Cabo Verde. Mas é um jogador com futuro. Está a sair-se muito bem e terá um futuro brilhante. Mas, para mim, olho sempre para a Espanha como um coletivo. São muito bons, jogam muito bem, e será um jogo muito duro".
Em 2006, jogou com Luís Figo e um grupo muito bom. 20 anos depois, pode voltar a defrontar a França nas 'meias'. O que pensa disso?
"Não falo de antigas gerações. Foi incrível jogar com todos, mas agora os jogadores são diferentes. É um desafio, é algo diferente. Não quero falar de meias-finais porque amanhã temos um jogo com a Espanha. Terei tempo de falar se avançarmos, mas é muito difícil. Espero que consigamos ter uma tarde incrível".
Como tem lidado com as críticas ao longo dos anos?
"Quanto mais preparado estiveres, melhor vais sobreviver a uma carreira longa. Se for essa a intenção. A crítica... Se ligas à crítica, estás perdido. É normal. É o vosso trabalho. Eu entendo perfeitamente. Há críticas construtivas e outras para tentar 'matar'. Faz parte. Afinal de contas, entendo o vosso lado. É parte da maneira como a imprensa vende as notícias. Se queremos ter uma carreira longa, temos de nos habituar. Mas há que focar em quem gosta de nós, na paixão do estádio. Aprendi com o tempo que devemos estar ao lado de quem gosta de nós e de quem sente paixão por nós. E nós temos de ter paixão pelo que fazemos. Acordar, ir treinar... Claro que há momentos difíceis, mas isso faz parte. É normal. E no futebol, como há sempre a crítica, é mais difícil por vezes. Mas faz parte do nosso trabalho".
Antes de mais, obrigado por tudo o que deu ao futebol. Temos desfrutado do duelo com Messi. Como está a viver a antevisão a este jogo, que será tão especial para si? Que mensagem quer deixar aos adeptos que estão cá fora?
«O último Mundial (risos)... Uma pergunta interessante, gostei. O que fica são as pessoas. As pessoas que gostam de nós, as pessoas a quem podemos dar momentos diferentes. E vejo as pessoas que trabalham à nossa volta. São memórias espetaculares. Durante o voo, eu sabia que uma das assistentes de bordo era argentina. Só pela maneira como olhou para mim. Eu disse-lhe: "Sei que és argentina. Olhaste para mim e desviaste os olhos rápidos, vocês não gostam de mim...". Mas a minha mulher é argentina. Está tudo bem. É desfrutar ao máximo. Vai ser o meu último Mundial, sim. É desfrutar".
No último jogo, disse que tinha o feeling de que havia um penálti. E para amanhã?
"Só sinto amanhã, é só no dia do jogo. Chega lá de cima... E aí é que dá aquela tremedeira, aquela 'suada'. Estou a falar a sério. Normalmente só tenho esse pressentimento no dia do jogo. Se nos cruzarmos, eu digo".
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