Sessão foi bloqueada "devido a uma reclamação de direitos de autor atribuída à FIFA".
O YouTube bloqueou o acesso a um vídeo do Mundial de Futebol pelo Senado do Paraguai, que abordava numa sessão ordinária, entre outros assuntos, a polémica envolvendo a senadora Celeste Amarilla e o futebolista francês Kylian Mbappé.
A Direção-Geral de Comunicação da Câmara Alta do Paraguai divulgou na rede social X o incidente, esclarecendo através de um comunicado que a medida não implicava "uma sanção ao canal institucional da Câmara dos Senadores".
A sessão foi bloqueada "devido a uma reclamação de direitos de autor atribuída à FIFA, de acordo com o aviso emitido pela própria plataforma", acrescentou o comunicado.
"A título preliminar, a situação estaria relacionada com a deteção automática de conteúdo audiovisual protegido por direitos de autor, no âmbito do debate parlamentar durante a sessão de hoje [quarta-feira], no qual foram feitas referências ao Campeonato do Mundo de Futebol e exibidos excertos audiovisuais relacionados com esse evento", acrescentou o Senado paraguaio.
Por esse motivo, explicou o comunicado, a equipa técnica do canal Senado TV e a Direção-Geral de Comunicação estão a verificar a reclamação, com vista a "identificar o segmento em questão e adotar as medidas necessárias para restabelecer a disponibilidade da gravação".
O comunicado esclarece ainda que a programação e as transmissões previstas na agenda legislativa "continuarão a decorrer normalmente".
A sessão plenária desta quarta-feira foi marcada pelo forte confronto entre Amarilla e Mbappé.
Amarilla desencadeou a polémica no sábado ao afirmar nas redes sociais que Mbappé "em vez do leite da mãe, chupou cocos e que a coisa mais culta que já ouviu na vida são os chimpanzés", declarações que a ONU, a Federação Francesa de Futebol e o presidente da França, Emmanuel Macron, consideraram racistas.
A senadora reagiu daquela forma à eliminação do Paraguai nos oitavos de final do Mundial frente à França, com um resultado de 0-1, decidido precisamente por um golo de grande penalidade de Mbappé, que, segundo Amarilla, manteve uma atitude arrogante durante o jogo.
O futebolista respondeu, na mesma rede social, à legisladora, chamando-a de "mulher desprezível e indigna do cargo".
Esta quarta-feira, após um debate de mais de cinco horas, o Senado paraguaio condenou "as expressões discriminatórias e racistas" de Amarilla contra Mbappé, com uma resolução aprovada por maioria, apesar do apoio de vários senadores à legisladora.
Na sessão plenária, a deputada voltou a elevar o tom e afirmou que o futebolista é um "filho da puta", sublinhando que se recusou a cumprimentar o guarda-redes Orlando Gill no final do jogo.
Além disso, salientou que se recusa a referir-se à sua "sonhada" França como a "terra de Mbappé".
"Recuso-me a reduzir esta história, toda essa enorme França, todo esse enorme legado cultural, artístico e democrático, a Mbappé", afirmou.
A senadora não esteve sozinha nas críticas: a senadora Yolanda Paredes apoiou a posição de Amarilla e indicou que Mbappé foi "racista e xenófobo" contra os jogadores paraguaios, a quem, segundo ela, tentou "humilhar" durante o jogo.
Por outro lado, o presidente do Congresso, Basilio Núñez, do partido no poder, criticou as declarações de Amarilla e recomendou que se tornasse "dona do seu silêncio".
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