200 mil offshores para fugir ao Fisco
Maior fuga de informação de sempre.
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04-04-2016_23_23_25 Info_ParaisosFiscais.pdfAo longo de quatro décadas, uma pequena empresa de advogados sediada no Panamá criou mais de 200 mil offshores que ajudaram políticos corruptos, traficantes de droga, milionários, desportistas e celebridades a esconder as suas fortunas e escapar ao Fisco. A maior fuga de informação de sempre expôs os seus segredos e semeou o pânico entre os mais ricos e poderosos do Mundo. Há 34 portugueses envolvidos.
No centro do escândalo está a Mossack e Fonseca, empresa especializada na criação de offshores em paraísos fiscais como as ilhas Virgens Britânicas ou a ilha de Man. Mais de 11,5 milhões de documentos dos seus arquivos foram parar às mãos do jornal alemão ‘Süddeutsche Zeitung’, que os partilhou com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.
Ao longo de mais de um ano, mais de 300 jornalistas em 80 países investigaram e confirmaram milhares de documentos, que agora começam a ver a luz. Expõem uma teia de corrupção generalizada, através da qual são lavadas autênticas fortunas e ocultados os verdadeiros donos de milhões e milhões de euros de proveniência duvidosa, com a cumplicidade de bancos, empresas e sociedades de advogados.
Na lista de beneficiários estão 12 antigos e atuais chefes de Estado, políticos de mais de 50 países e 29 dos 500 homens mais ricos do Mundo.
As revelações dos Papéis do Panamá são bombásticas, mas constituem apenas a ponta do icebergue. Muito mais estará ainda para vir.
Teia criminosa envolve Putin
O nome de Putin não aparece em qualquer documento, mas os peritos não têm dúvidas de que ele é o grande beneficiário do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro destapado pelos Papéis do Panamá. A principal figura na teia é Sergei Roldugin, violoncelista clássico, amigo de juventude de Putin e padrinho da sua filha mais velha.Roldugin controla quatro offshores criados pela MF que receberam milhões de dólares de bancos estatais russos a troco de negócios obscuros, trocas de ações fictícias e consultorias inexistentes. Num dos casos, um offshore de Roldugin comprou os direitos de um empréstimo de 200 milhões por apenas um dólar, embora, só em juros, o crédito adquirido valesse pelo menos 8 milhões por ano.
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