Advogados apresentam queixa contra médica que conduziu o processo de Noelia Castillo
Acusam a profissional de "prevaricação e conflito de interesses".
A fundação espanhola de advogados cristãos apresentou uma queixa ao Tribunal de Primeira Instância de Barcelona contra a médica responsável pelo processo de eutanásia de Noelia Castillo. A fundação ultraconservadora acusa a médica de "prevaricação e conflito de interesses".
A denúncia surge em representação do pai da jovem, que sempre se mostrou contra o processo. De acordo com emissora espanhola Telecinco, a queixa aponta para "possíveis irregularidades na gestão do processo desde o início". "A própria médica redigiu à mão o pedido de eutanásia da paciente, incluindo como primeiro ponto o desejo de Noelia ser dadora de órgãos e tecidos", lê-se no comunicado emitido pelos advogados, citado pela Telecinco.
Afirmam que a médica desempenhava uma dupla função enquanto responsável da entidade pública de transplantes espanhola Consorci Sanitari Alt Penedès-Garraf. O grupo cristão considera que é preciso avaliar se "a morte do paciente era apropriada ou tinha um interesse institucional direto na obtenção de órgãos”.
Acusam ainda a médica de ser "especialista em medicina intensiva" e que "não era a médica habitual de Noelia nem tinha qualquer relação clínica prévia com ela". Enfatizam que “os regulamentos exigem uma separação absoluta entre o processo de eutanásia e a doação de órgãos, proibindo expressamente o envolvimento de profissionais que possam beneficiar-se do resultado”.
Além disso, alegam que a jovem de 25 anos "solicitou o adiamento da eutanásia por estar em estado de confusão", o que, segundo a fundação, "demonstra uma falta de garantias na avaliação realizada e a existência de oscilações da sua vontade".
"Estamos diante de um caso muito sério que põe em questão as garantias do sistema", refere a presidente da fundação espanhola de advogados cristãos, Polonia Castellanos. “Não se pode decidir sobre a vida de uma pessoa quando existe um interesse direto na obtenção de seus órgãos”, remata.
Noelia Castillo morreu, no passado dia 26 de março, depois de ter formalizado um pedido para a morte medicamente assistida em 2024.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt