AIEA denuncia ataque deliberado "extremamente grave" a central nuclear nos Emirados
Central nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, foi " deliberadamente" visada no mês passado e os responsáveis pelo ataque procuravam provocar um incidente "extremamente grave".
A central nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, foi " deliberadamente" visada no mês passado e os responsáveis pelo ataque procuravam provocar um incidente "extremamente grave", afirmou esta terça-feira o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
O ataque com 'drones', a 17 de maio, contra uma instalação elétrica da central poderia ter causado a perda de energia externa e o consequente encerramento do reator, um cenário "extremamente grave", disse Rafael Grossi aos jornalistas em Abu Dhabi após uma visita à central de Barakah.
"Isto significa que os responsáveis ??por este ataque sabiam exatamente o que estavam a fazer. Isto é extremamente grave", adiantou o responsável da agência das Nações Unidas.
Os Emirados Árabes Unidos atribuíram o ataque a milícias iraquianas pró-Irão, numa altura em que Teerão retalia contra os países-vizinhos quando é alvo de ataques pelos Estados Unidos ou Israel, que lançaram uma campanha de bombardeamentos contra o país no final de fevereiro.
O responsável da AIEA acrescentou que convocou uma sessão especial do Conselho de Governadores da agência, que está a prestar assistência técnica a Abu Dhabi.
Construída por um consórcio sul-coreano liderado pelo fornecedor de energia Kepco, a central nuclear de Barakah, que começou a operar em 2020, satisfaz até 25% das necessidades de eletricidade dos Emirados Árabes Unidos.
O incidente ocorreu após várias semanas de ataques com drones e mísseis iranianos durante a guerra no Médio Oriente, que começou a 28 de fevereiro com uma ofensiva israelo-americana contra o Irão.
Desde o início do conflito, os Emirados Árabes Unidos foram alvo de mais de 2.800 mísseis e 'drones', sofrendo o impacto da retaliação iraniana contra as monarquias do Golfo.
"Vários países da região têm sérias preocupações", disse à AFP Grossi, que já visitou o Kuwait e o Qatar e que segue para a Arábia Saudita.
O "pior cenário possível", disse o responsável da AIEA, seria um ataque direto à central nuclear de Barakah ou à central nuclear de Bushehr, no Irão, que também foi alvo de ataques durante o conflito, com o risco de fuga radioativa.
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