Após 11 anos em estado vegetativo, Vincent Lambert vai morrer

Depois de anos a lutar, os pais de Vincent resignaram-se mas não conseguem aceitar a morte do filho.

08 de julho de 2019 às 20:15
Vincent Lambert Foto: EPA
Vincent Lambert ficou tetraplégico e está em coma desde o acidente em 2008 Foto: Direitos Reservados
Vincent Lambert Foto: Twitter

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Vincent Lambert, o tetraplégico francês em estado vegetativo irreversível desde um acidente de viação em 2008, teve finalmente as máquinas desligadas. O mais alto tribunal de recurso francês decidiu que o suporte básico de vida poderia ser desligado e, apesar de os pais ainda terem recorrido da decisão, esta segunda-feira confessaram-se resignados a uma situação que não conseguem aceitar.

"A morte de Vincent é agora inevitável. Ainda que não a aceitemos, só podemos resignar-nos", disseram os pais do francês em comunicado enviado à AFP e divulgado pelo jornal francês Le Figaro.

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Depois da decisão do tribunal, a 28 de junho, o hospital de Reims, onde Vincent se encontra internado, iniciou na passada terça-feira o processo de interrupção do fornecimento de água e alimentos por via endovenosa. Foram aumentados, ao mesmo tempo, os sedativos. "O processo de acabar com os tratamentos [de alimentação e hidratação por máquina] começará hoje", anunciou na altura o chefe da equipa médica que trata Lambert.

Este processo põe fim a uma guerra judicial que teve início em 2013 – os pais de Vincent, católicos conservadores, e dois irmãos defendiam que o homem devia ser mantido vivo enquanto a mulher, outros cinco irmãos e um sobrinho defendiam que o francês deveria ter direito a morrer. Estes últimos garantem que Vincent chegou a dizer, em conversas, que não queria ser mantido vivo num estado semelhante. Mas não deixou por escrito um testamento vital, tendo-se tornado a sua situação em França num símbolo do debate sobre a morte digna.

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Em 2008, Vincent Lambert sofreu um acidente de viação, no qual ficou tetraplégico e com lesões cerebrais irreversíveis. Foi, nos últimos 11 anos, alimentado e hidratado por via endovenosa, não tendo nunca mostrado melhorias.

Desde 2014 que os médicos de Vincent defendem que o doente deve ser desligado das máquinas mas os pais nunca aceitaram que as máquinas fossem desligadas. O hospital chegou a tentar por três vezes obter autorização para parar o tratamento, mas as ações judiciais interpostas pelos pais impediram sempre o avanço do processo. Na passada terça-feira, depois da decisão do tribunal, os pais ainda tentaram reverter a decisão. "É eutanásia", disse Pierre Lambert, o pai de Vincent, de 90 anos, acusando os médicos de estarem a realizar uma forma de homicídio encapotado.

A última vez que foi iniciado o protocolo para deixar Vincent Lambert morrer foi em maio. No entanto, os pais voltaram a recorrer ao tribunal e o procedimento foi suspenso.

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A sentença foi invalidada pelo Supremo Tribunal. "Só poderemos resignar-nos com dor, incompreensão, mas também com esperança", disseram os pais do francês.

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