Bruxelas sem preocupações imediatas no abastecimento de petróleo

Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo estreito de Ormuz, que está comprometido devido ao conflito no Médio Oriente.

02 de março de 2026 às 12:48
Bandeiras da União Europeia em frente ao Edifício Berlaymont, Bruxelas Foto: Direitos Reservados
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A Comissão Europeia garantiu esta segunda-feira não ter "preocupações imediatas" quanto à segurança do abastecimento energético à União Europeia (UE), apesar do impacto do conflito no Médio Oriente no estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.

"A nossa análise aponta para que não haja preocupações imediatas quanto à segurança do abastecimento na UE. Solicitámos aos nossos Estados-membros que partilhem connosco as suas avaliações nacionais até ao final do dia de esta segunda-feira e iremos reunir um grupo de coordenação do petróleo nas próximas 48 horas", disse a porta-voz do executivo comunitário para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen, na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.

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Numa altura em que as tensões no Médio Oriente colocam o abastecimento de petróleo e de gás sob pressão e levam a subidas nos preços, dados os ataques iniciados por Israel e Estados Unidos ao Irão e a resposta iraniana, a porta-voz admitiu que a questão está a ser discutida pela Comissão Europeia, tanto num colégio de segurança realizado esta segunda-feira, como num debate de orientação sobre os preços da energia que se realiza na sexta-feira.

"Não comentamos aqui os preços da energia, mas é evidente que a configuração das rotas e dos padrões de transporte globais é algo que, a longo prazo, determinará também a estrutura dos preços", assinalou.

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Já quanto questionada sobre um eventual impacto no abastecimento de gás à UE, Anna-Kaisa Itkonen garantiu que o armazenamento atual no espaço comunitário ronda os 30%, "ainda dentro dos limites estabelecidos pela União para definir o fim do inverno em níveis adequados e garantir o reabastecimento durante o próximo verão".

"Por isso, não estamos a tomar quaisquer medidas de emergência ou algo do género. Não há escassez, não há emergência. As importações de gás estão bem diversificadas e isso é algo a que temos prestado muita atenção nos últimos anos", adiantou, assinalando que Bruxelas está pronta para convocar um grupo de coordenação para este combustível fóssil "se houver necessidade".

O conflito entre Israel e o Irão pode afetar a segurança energética da UE sobretudo de forma indireta, já que a instabilidade na região do Golfo Pérsico tem impacto global, especialmente se houver riscos para o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

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Qualquer perturbação nessa rota faz subir os preços internacionais do petróleo e do gás, afetando os países comunitários.

Atualmente, a UE importa petróleo principalmente dos Estados Unidos, da Noruega, do Iraque, da Arábia Saudita, do Cazaquistão e da Nigéria.

No que toca ao gás natural, os principais fornecedores são a Noruega, os Estados Unidos (sobretudo gás natural liquefeito), o Qatar, a Argélia e o Azerbaijão, tendo a dependência da Rússia diminuído significativamente desde 2022 dada a invasão russa da Ucrânia.

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Ainda assim, vários destes fornecedores exportam através da região do Golfo, o que, face a um conflito mais alargado, pode significar volatilidade nos mercados, aumento de preços e pressão económica na Europa.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

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