Cameron diz ter sido "futuro, outrora"
Presente na última sessão no parlamento como PM do Reino Unido.
Na última sessão no parlamento como primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron dirigiu a si próprio a frase famosa que disse um dia ao ex-chefe do governo trabalhista Tony Blair: "Eu fui o futuro, outrora".
Famosa no léxico político do Reino Unido, a frase foi proferida por Cameron na sua primeira sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro, há 11 anos. Recentemente eleito líder da oposição conservadora, Cameron troçou de Blair: "Eu quero falar do futuro. Ele foi o futuro, outrora".
Seis anos depois de se tornar o primeiro-ministro mais novo do Reino Unido em 200 anos, David Cameron deixa a chefia do governo com a sombra da iminente saída do país da União Europeia, um fim abrupto da sua carreira política.
O ambiente de convívio no parlamento contrastou com as divisões no país expostas pelo referendo ao 'Brexit' no qual Cameron apostou a sua reputação.
"Pode-se conseguir muitas coisas na política", declarou Cameron, de 49 anos, numa Câmara de Comuns cheia.
"No final - o serviço público, o interesse nacional -- trata-se disso (...) Nada é realmente impossível se nos dedicarmos. Afinal, como disse uma vez, eu fui o futuro, outrora", declarou, escutado pela mulher Samantha e pelos filhos que assistiam na galeria.
A resposta dos deputados da oposição não foi calorosa. Angus Robertson, dos nacionalistas escoceses, disse: "o legado do primeiro-ministro será sem dúvida ter levado o país à beira de sair da União Europeia, por isso o seu mandato não será aplaudido neste lado".
Sentado ao lado da sua sucessora, Theresa May, Cameron prometeu continuar a assistir à semanal "troca de galhardetes" e disse que ia sentir falta das "farpas da oposição".
David Cameron disse ainda que também sentirá falta de Larry, o gato de Downing Street, que não será remodelado e ficará na residência oficial do primeiro-ministro.
Mostrou até uma fotografia com o "bichano" ao colo para, explicou, acabar com o rumor de que não gostava de Larry.
Saiu sob os aplausos dos colegas de bancada, alguns dos quais chegaram a dar-lhe palmadas nas costas ou abraços.
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