Cimenteira francesa considerada culpada de financiamento de terrorismo

Empresa efetuou pagamentos a três organizações islamitas no valor de 5,6 milhões de euros.

13 de abril de 2026 às 14:32
Industria cimenteira Foto: Getty Images
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A cimenteira francesa Lafarge e oito antigos responsáveis foram esta segunda-feira considerados culpados de financiamento do terrorismo em 2013 e 2014, por pagamentos a extremistas islâmicos que permitiram o funcionamento de uma fábrica durante a guerra civil na Síria.

Segundo a deliberação do tribunal de Paris, a empresa, entretanto adquirida pela suíça Holcim, efetuou pagamentos a três organizações islamitas, incluindo o grupo Estado Islâmico (EI), no valor de cerca de 5,6 milhões de euros.

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A instância judicial sublinhou que tal montante permitiu a estes grupos "preparar atentados terroristas", nomeadamente os ocorridos em janeiro de 2015 em França, quando a revista satírica Charlie Hebdo, na capital francesa, sofreu um ataque.

"Esta modalidade de financiamento de organizações terroristas, e sobretudo do EI, foi essencial ao contribuir para o controlo da organização terrorista sobre os recursos naturais da Síria, permitindo-lhe financiar atos terroristas no terreno e projetados no exterior, como na Europa", afirmou a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez.

A empresa estabeleceu uma "verdadeira parceria comercial com o EI", afirmou a magistrada, sublinhando que o montante pago às organizações islamitas, "nunca antes atingido", contribui para a "gravidade extrema dos factos".

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O ex-presidente executivo da Lafarge, Bruno Lafont, foi condenado pelo Tribunal Correcional de Paris a seis anos de prisão, tal como pedira a acusação, com detenção imediata por financiamento do terrorismo, devido aos pagamentos efetuados aos grupos extremistas islâmicos.

O tribunal condenou ainda outros sete ex-responsáveis da cimenteira a penas que vão dos 18 meses aos sete anos de prisão.

Determinou também a prisão imediata do ex-diretor-geral adjunto Christian Herrault, condenado a cinco anos de prisão.

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Durante o julgamento, que decorreu entre novembro e dezembro passados, a defesa procurou contrariar a narrativa de que a cimenteira de Jalabiya, localizada no norte da Síria e que envolveu um investimento de 680 milhões de euros, foi mantida em funcionamento por razões exclusivamente financeiras, em detrimento da segurança dos cerca de mil trabalhadores.

Apesar dos milhões pagos, a cimenteira de Jalabiya acabou por ser evacuada pela Lafarge, com urgência e total falta de preparação, em 18 de setembro de 2014, perante o avanço do EI. No dia seguinte, caiu nas mãos dos extremistas.

Uma das particularidades deste processo foi o facto das vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2015 de Paris, considerados como os piores atentados terroristas de sempre em solo francês, se terem constituído assistentes, por considerarem que este caso foi uma das "engrenagens" dos ataques.

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