Espanha responde a ameaças de Trump com "calma e normalidade"
Donald Trump criticou duramente Espanha, chamando-lhe uma "causa perdida", com a qual os Estados Unidos "cessarão todo o comércio".
O Governo espanhol garantiu, esta quarta-feira, que recebe com "calma e normalidade" as novas acusações do Presidente norte-americano que, durante a cimeira da NATO, afirmou que o país "é um caso perdido" e ameaçou cortar todas as relações comerciais.
Após estas declarações, feitas por Donald Trump em Ancara, onde se realiza a cimeira da Aliança Atlântica, fontes do Governo espanhol sublinharam que a Espanha mantém uma excelente relação social, cultural e económica com os Estados Unidos e não tem qualquer intenção de a alterar.
Além disso, salientaram que a União Europeia é uma união comercial na qual nenhum Estado-membro pode ser discriminado, como a Comissão Europeia já deixou claro em diversas ocasiões.
Esta é a mesma resposta que o Governo deu há alguns meses à ameaça de Trump de cortar relações comerciais com Espanha, depois de o país ter sido o único membro da NATO a recusar-se a aumentar as suas despesas de defesa para 5% do PIB.
O Governo espanhol sublinhou ainda que os Estados Unidos têm um excedente comercial com Espanha, o que significa que beneficiam desta relação, e lembrou que os laços económicos são forjados por empresas privadas, e não por governos.
A relação bilateral entre Espanha e os Estados Unidos é benéfica para ambos os países, tanto na área do comércio como na da defesa, referiram as mesmas fontes, citadas pela agência de notícias espanhola Efe.
Em declarações feitas antes da abertura da cimeira, Donald Trump criticou duramente Espanha, chamando-lhe uma "causa perdida", com a qual os Estados Unidos "cessarão todo o comércio".
Ao lado do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, Trump acusou Espanha de ser um "parceiro terrível".
"Não participam [na NATO], não pagam. Eu não quero ter nada a ver com a Espanha. Corta todas as relações com a Espanha, se faz favor, incluindo visitas, ok?", disse Trump, dirigindo-se ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
Quando essas restrições forem impostas, a Espanha vai "voltar a correr" para os braços dos norte-americanos, considerou.
"São um caso perdido, são más pessoas. Todos estão a pagar e a trabalhar, mas Espanha é abertamente hostil. Vamos ver se continuam a ser hostis quando ligarem a dizer 'por favor, por favor, queremos fazer comércio convosco, senhor'. Ganham tanto dinheiro connosco e vamos garantir que passam a ganhar muito menos", afirmou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt