Folha de pagamentos do narcotraficante "El Mencho" mostra subornos a autoridades
Documentos mostram receita de mais de 500 mil euros com venda de drogas só em dezembro, além de pagamentos a elementos do cartel, polícia, hackers e funcionários públicos.
As autoridades mexicanas encontraram centenas de documentos e folhas de pagamentos no valor de milhões de pesos (moeda mexicana) e dólares numa casa que pertencia ao narcotraficante "El Mencho", morto pelo exército no domingo durante uma operação militar.
Estes documentos, uns manuscritos, outros encontrados em computadores, mostram o controlo do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) em atividades ilícitas, com referências a alegados subornos a polícias, militares e autoridades de várias localidades, assim como a hackers, funcionários públicos e empresas.
De acordo com uma reportagem do jornal El Universal, há referências de pagamentos feitos com o dinheiro proveniente do tráfico de droga a forças policiais das cidades de Atemajac de Brizuela e Chiquilistlán - no primeiro caso terão sido pagos cerca de três mil euros, no segundo mais de quatro mil.
É também mencionado um pagamento de quase sete mil euros à polícia de Tapalpa, a região onde "El Mencho" se encontrava quando foi abatido numa operação do exército mexicano.
Os documentos revelados pelo El Universal revelam ainda que "El Mencho" faturou, só no mês de dezembro, mais de 500 mil euros com a venda de maconha, cocaína, metanfetamina e fentanil. Há ainda outras quantias provenientes de máquinas de jogo que tinha espalhadas em várias cidades.
Outra folha mostra que no mês de dezembro "El Mencho" gastou quase 100 mil euros com a manutenção da a estrutura criminosa do cartel em Tapalpa.
Um outro registo de despesas, detalhado por semana, indica avultados pagamentos a vigias, seguranças e outros operacionais do cartel, além de despesas para habitação, alimentação e combustível.
Há também referência a um pagamento feito a "El Tuli", o contabilista de "El Mencho", que também foi morto durante a operação de domingo, no valor de 15 mil euros.
Oseguera Cervantes, de 56 anos, conhecido como "El Mencho", era o principal líder do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença territorial no México e que, no início do ano passado, foi designada pelo governo dos EUA como organização terrorista.
Designado como um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, foi morto domingo numa operação do exército mexicano no seu refúgio de luxo no condomínio residencial Tapalpa Country Club, no alto das montanhas de Jalisco, um local que utilizava para descansar e se esconder.
A sua morte é um dos golpes mais duros desferidos ao narcotráfico desde a prisão dos fundadores do cartel de Sinaloa, Joaquín Guzmán "El Chapo" e Ismael "Mayo" Zambada, detidos nos Estados Unidos.
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